Brasília, 16 – O regime cubano manifestou ao governo Lula a intenção de quitar a dívida que tem com o Brasil, mas também apontou “limitações” para realizar os pagamentos no curto prazo. Já contabilizados os juros de mora, o débito de Cuba alcançou US$ 671,7 milhões (cerca de R$ 3,36 bi) no fim do ano, enquanto as parcelas a vencer somam US$ 525 milhões (aproximadamente R$ 2,6 bi). Os valores ainda estão em fase de conciliação entre as equipes técnicas, informou o Ministério da Fazenda.
Integrantes da pasta e autoridades de Cuba se reuniram no início do mês para retomar as discussões sobre a dívida que Havana mantém com Brasília, cujo atraso nos pagamentos se agravou em 2018.
Questionada sobre os avanços registrados nesta primeira agenda, a Fazenda afirmou que representantes cubanos reconheceram a dívida, com intenção de pagá-la, mas também aproveitaram para ressaltar as dificuldades financeiras enfrentadas pela ilha nos últimos anos, “decorrentes de choques externos diversos”, como a pandemia, os embargos americanos e as mudanças climáticas.
Aliança
Aliado histórico de Cuba, o governo petista, contudo, não pode fazer uma reestruturação da dívida por decisão própria. Qualquer renegociação teria de ser aprovada pelo Legislativo. No ano passado, antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Havana, autoridades cubanas já haviam sinalizado informalmente sobre as dificuldades em quitar sua dívida com o Brasil, pedindo flexibilidade do governo brasileiro.
A maior parte dos recursos que foram emprestados ao regime cubano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou o projeto do Porto de Mariel, inaugurado em 2014.
A reportagem questionou o Ministério da Fazenda sobre a expectativa de retomada do fluxo de pagamentos. A pasta não cravou uma data, mas indicou pessimismo em uma resolução no curto prazo. “Quanto às possibilidades de quitação e de retomada dos pagamentos a vencer, os representantes cubanos apontaram que, dada a dificuldade de geração de divisas, há limitações para o pagamento no curto prazo”, afirmou o ministério.
Estadão Conteúdo