A Comissão de Auxílio do vilarejo de El Chaltén, na Argentina, informou que o corpo do alpinista brasileiro Bernardo Collares – que na segunda-feira, 3, teve um acidente com feridas mortais quando descia o pico Fitz Roy, no extremo sul do lado argentino da Cordilheira dos Andes – permanecerá por tempo indeterminado nessa montanha. Segundo a comissão, a tentativa de resgate seria “extremamente” perigosa.
A área onde Collares teve a queda – que causou uma fratura do quadril e hemorragia interna – foi assolada por uma intensa tempestade de neve na noite seguinte ao acidente. A médica do Posto Sanitário de El Chaltén, Carolina Codó, integrante da comissão, foi a encarregada de explicar a situação à família do alpinista brasileiro.
“Se enviássemos uma missão de resgate levaríamos dois dias, em caso de uma escalada rápida, para subir. E depois disso, cinco dias para descer em rapel, carregando a maca com o corpo do alpinista. Por este motivo, não há possibilidades de efetuar essa operação. Por um lado, está o risco da descida em si com o corpo. Por outro, as condições climáticas atuais na área do pico, que são péssimas”, disse.
Segundo Codó, “o corpo permanecerá ali por um tempo indeterminado. Se um dia for possível removê-lo, será feito. Mas, descer com o corpo é uma operação delicada. Não sei se justifica colocar em risco a vida de outras pessoas”. Além disso, segundo a médica, “a família do alpinista não expressou a necessidade de levar o corpo de forma urgente ao Brasil”.
Codó indicou que uma alternativa especulada pela mídia, a de usar um helicóptero para aproximar-se do pico, é altamente perigosa: “Existem fortíssimos ventos ali. Nunca foi feito nada assim na Argentina. Não sei se com um bom piloto e uma equipe altamente treinada, além de um excelente helicóptero, esse tipo de resgate seria possível”.