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Brasil

Coronel tinha grupo de WhatsApp com investigados ligados ao PCC, diz Promotoria

Policiais citados não foram alvo de busca e apreensão nem de mandados de prisão, já que o inquérito se concentra nos suspeitos de crimes financeiros

Redação Jornal de Brasília

21/07/2026 18h07

coronel jose augusto coutinho

Coronel José Augusto Coutinho, Comandante-geral da Polícia Militar de SP até abril deste ano e atualmente está na reserva. Foto: Divulgação

TULIO KRUSE
FOLHAPRESS


Três coronéis da Polícia Militar de São Paulo foram citados nos relatórios da Promotoria que embasaram a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21) e que mira um grupo suspeito de movimentar valores ilícitos em favor do PCC (Primeiro Comando da Capital) e que também teria participação nos chamados tribunais do crime.

Segundo a decisão judicial que autorizou 18 prisões e operações de busca e apreensão, a investigação aponta que alguns integrantes do núcleo suspeito de lavar dinheiro do crime “demonstraram possuir influência sobre policiais civis e militares”.

Os policiais citados não foram alvo de busca e apreensão nem de mandados de prisão, já que o inquérito se concentra nos suspeitos de crimes financeiros.

Entre os militares citados está o coronel José Augusto Coutinho, que foi comandante-geral da PM paulista até abril deste ano e agora está na reserva. São mencionados também o coronel Luiz Carlos Pereira Martins, relacionado ao grupo de WhatsApp —também na reseva, desde 2019—, e um coronel identificado apenas como Patrício.

A defesa de Coutinho afirmou que não teve acesso à investigação e disse também que “sem prejuízo da análise dos elementos da investigação, a defesa reafirma a integridade e a correção com que o coronel Coutinho sempre exerceu suas funções” e que “está certa de que, no curso do procedimento, será demonstrada a inexistência de qualquer envolvimento de sua parte”.

A reportagem não identificou quem representa a defesa de Pereira Martins.

Uma das mensagens interceptadas pela investigação mostra que os investigados conversaram sobre a necessidade “de recursos financeiros para ‘pagar a polícia'”, diz a decisão judicial da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores ca Capital . O diálogo ocorre entre dois suspeitos de prestar serviços financeiros ao PCC.

Conforme a Justiça, Coutinho foi mencionado “no contexto da figura do operador financeiro Amjad Ahmad”, apontado como um operador financeiro que presta serviços de “troca de TED por dinheiro vivo” e tem conexões com integrantes do PCC.

O ex-comandante da PM também teria sido mencionado em conversas entre operadores financeiros, embora a decisão judicial não explique o teor delas.

Já o coronel Patrício consta em uma planilha como cliente de um dos operadores financeiros, segundo o documento da Justiça. Em uma operação anterior, uma anotação indicando pagamento de R$ 1 mil em favor de Patrício foi encontrada na casa de um dos investigados.

O coronel Pereira Martins, por sua vez, fazia parte de um grupo de WhatsApp com suspeitos de lavagem de dinheiro, segundo a Promotoria.

“Destaca-se a participação de ambos em grupo de WhatsApp denominado ‘Aniversário general’, ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, no qual eram enviadas mensagens de caráter pessoal e social, inclusive relacionadas a eventos e celebrações, evidenciando relação de proximidade para além de contatos meramente ocasionais”, diz a decisão.

O vínculo entre o coronel e os investigados manteve-se mesmo após os suspeitos serem alvo da Operação Fractal, em 2022.

“Ainda, há registros de que o Cel [coronel] PM Pereira Martins se dispôs a ajudar os investigados e intermediar contato com autoridades, o que reforça o grau de proximidade verificado”, diz o documento.
Segundo as investigações, os suspeitos atuavam na troca de transferências eletrônicas por valores em espécie e vice-versa. Os próprios investigados falavam em “troca de TED por vivo”, de acordo com as autoridades.

Quem tinha dinheiro em espécie proveniente do tráfico (o “vivo”) entregava as cédulas ao grupo e, em troca, recebia uma transferência bancária, que já entrava no sistema financeiro com aparência lícita, sob alguma justificativa econômica.

Isso ocorria por meio de empresas de fachada.

OMISSÃO


O nome de Coutinho já foi mencionado em uma manifestação da Promotoria de Justiça Militar que apontou indícios de que o ex-comandante-geral da PM pode ter prevaricado ou condescendido com comportamentos criminosos.

Ele teria deixado de determinar a investigação de vazamentos de operações e de informações sigilosas relacionadas a investigações contra o PCC mesmo tendo sido alertado sobre o problema. Na ocasião, A Promotoria não falava em relação entre o oficial e a organização criminosa.

A investigação mirava subordinados de Coutinho na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de elite da PM), de 2020 a 2021, ainda na gestão passada.

A Operação Janus, deflagrada nesta terça, é um desdobramento das operações Recidere, Bazaar e Sallus et Dignitas. As investigações são conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), braço especializado do Ministério Público contra organizações criminosas.

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