JOÃO PEDRO PITOMBO
FOLHAPRESS
Apontado como mandante do assassinato da ialorixá e líder quilombola Bernadete Pacífico, a mãe Bernadete, Marilio dos Santos foi morto na madrugada desta quinta-feira (16) na cidade de Catu, na Região Metropolitana de Salvador.
Conhecido pelo apelido Maquinista, Marilio havia sido condenado nesta terça-feira (14) a 29 anos e 9 meses de prisão por homicídio qualificado, com pena ampliada por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Ele era o único dos cinco denunciados pelo crime que estava foragido da Justiça.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que Marilio foi localizado por equipes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar.
Durante a tentativa de cumprimento do mandado de prisão, teria atirado nos policiais e acabou ferido.
Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Com ele, segundo a polícia, foram apreendidos uma arma de fogo e munições.
Os advogados Fábio Felsembourgh, Fábio Souza e Marcos Rudá, responsáveis pela defesa de Marilio, manifestam surpresa com a notícia da morte dele menos de 48 horas após sua condenação pelo Tribunal do Júri. E destacaram que ainda cabia recurso da decisão.
“Essa situação demonstra uma rápida resposta das autoridades após a condenação, encerrando definitivamente o caso pelas seguintes ações: responsabilização penal de Marilio e pelo óbito em confronto”, disseram os advogados.
Além de Marilio, o Tribunal do Júri também condenou Arielson da Conceição Santos, apontado como um dos executores do crime. A pena foi de 40 anos e 5 meses e 22 dias de prisão.
A defesa de Arielson disse não concordar com a forma como se deu a condenação, tampouco com a dosimetria da pena, e vai buscar uma reanálise na instância superior.
O julgamento foi realizado no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, se estendeu por dois dias e foi concluído por volta das 21h desta terça-feira (14). Ativistas do movimento negro e organizações quilombolas fizeram manifestações no local cobrando por justiça pela morte da ialorixá.
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, dentro da casa que funcionava como sede da associação de quilombolas na cidade de Simões Filho, cidade da Região Metropolitana de Salvador.
Ela era coordenadora nacional da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos), vivia no Quilombo Pitanga dos Palmares e liderava um terreiro de candomblé.
As investigações apontaram que o assassinato da ialorixá foi motivado por disputas territoriais. Ela se posicionava contra a expansão do tráfico no quilombo e pela retirada de uma barraca de propriedade de Marílio, erguida dentro de uma área de preservação permanente e que era usada para comércio de drogas, segundo o Ministério Público.
Outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia pela morte de Mãe Bernadete e cumprem prisão preventiva.