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Brasil

Comissão aprova volta de exame médico para renovar CNH, em derrota do governo Lula

Mudança em medida provisória retoma exame médico na CNH, apesar de governo apontar baixa eficácia da exigência

Redação Jornal de Brasília

06/05/2026 17h40

exame medico cnh

Foto: Reprodução/ Detran-PR

ISADORA ALBERNAZ
FOLHAPRESS

A comissão mista no Congresso Nacional da MP (medida provisória) que estabeleceu a renovação automática e gratuita da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) para alguns motoristas decidiu nesta quarta-feira (6) retomar a exigência de exame médico para atualizar o documento, em uma derrota para o governo do presidente Lula (PT).

A mudança no texto se deu após um forte lobby por parte da classe médica para reverter o fim à obrigatoriedade universal dos exames. O relator da comissão, o senador Renan Filho (MDB-AL) e ex-ministro dos Transportes, acatou o pedido e alterou esse trecho em seu parecer.

O texto foi aprovado como Projeto de Lei de Conversão de forma simbólica, quando não há contagem nominal dos votos. A proposta ainda deverá ter o aval do plenário da Câmara e do Senado até 19 de maio para valer. Até lá, a MP enviada pelo governo continua em vigor.

A decisão de pôr um fim na obrigatoriedade universal dos exames médico e psicológico, que até o fim do ano passado custavam mais de R$ 400 e hoje custam R$ 180 (valor que passou a ser imposto pela própria MP editada em dezembro), se apoia em dados oficiais que, segundo o governo, revelam a baixa efetividade da exigência generalizada.

A Folha teve acesso a uma análise técnica realizada pela Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) sobre esses exames. Os dados reunidos desde 2015 mostram que, na realidade, mais de 99,5% dos motoristas que passam pelos exames permanecem aptos a dirigir, enquanto apenas cerca de 0,4% são considerados temporariamente inaptos. Uma fração mínima de 0,03% recebe inaptidão definitiva.

Com base nesse diagnóstico, o governo argumenta que o exame periódico obrigatório se tornou, na prática, só mais uma etapa burocrática e de alto custo para o cidadão.

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