Uma equipe do Centro Superior de Pesquisas Científicas da Espanha determinou pela primeira vez a estrutura tridimensional da proteína TOR, cost de grande interesse pelo potencial como catalisador para combater o crescimento de tumores.
A rota de ativação da proteína TOR está afetada em muitos tumores humanos, explicou o chefe da pesquisa, Óscar Llorca, do Centro de Pesquisas Biológicas. O trabalho foi publicado no último número da revista americana “Molecular Cell”.
Quando TOR se une ao composto “rapamicina”, inibe suas funções, mostrando um potencial antitumoral, acrescentou.
O modelo determinado proporciona informação sobre a estrutura tridimensional da TOR e de como a rapamicina atua sobre ela, mediante o bloqueio tanto de seu centro catalítico quanto da interação da TOR com outra proteína, a KOG-1.
“A ausência de informação sobre a estrutura da proteína dificultava o conhecimento dos detalhes moleculares da ação da rapamicina”, acrescentou.
Além disso, o estudo fornece dados que poderiam facilitar o desenho de estratégias terapêuticas que bloqueiem a função da TOR por mecanismos diferentes aos da rapamicina.
A bactéria produtora do metabolito rapamicina, que age como um potente fungicida, foi descoberta nos anos 70 em uma amostra de solo recolhida na Ilha de Páscoa.
Estudos posteriores determinaram que o composto permitia inibir o crescimento das células de mamíferos mediante a união com a proteína TOR.
Múltiplas investigações levaram à conclusão de que a TOR age no organismo como controlador do crescimento celular, controlando a informação da célula sobre seu nível de nutrientes, oxigênio, hormônios e fatores de crescimento.
Segundo Llorca, “a TOR só é ativada quando as condições são favoráveis; é então que mantém ativo o crescimento da célula”.
No entanto, quando as células são tratadas com rapamicina, a atividade da TOR é inibida, a sínteses geral de proteínas é reduzida dramaticamente e, portanto, o crescimento é contido.