Durante uma conferência no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Tóquio, Yamanaka disse que seu método está livre de problemas morais relacionados à destruição de embriões humanos e poderá ser usado, em um futuro ainda não determinado, para o tratamento de doenças como o mal de Parkinson e o câncer.
No entanto, a nova tecnologia, que foi apresentada em novembro, oferece ferramentas para criar vida humana em laboratório, um avanço que entra no campo da ética.
O pesquisador pareceu concordar com a “regulamentação” porque sua descoberta pode ser usada para “fazer algo ruim”, dada a relativa simplicidade da tecnologia necessária para seu desenvolvimento.
Yamanaka trabalha na Universidade de Kioto na criação de células-mãe induzidas, que têm as mesmas funções que as células-tronco, mas os cientistas não usam embriões humanos para gerá-las, ao contrário das técnicas existentes até agora, que utilizam estes embriões e os destroem.
O pesquisador japonês emprega apenas células da pele humana, de modo que desaparecem todos os problemas éticos que até agora travaram a pesquisa com células-tronco em muitos países.
No entanto, Yamanaka disse que com a tecnologia “poderiam ser criadas células sexuais humanas” e surgem novos assuntos que levantam problemas éticos, motivo pelo qual pediu a regulamentação das tecnologias.
Após o desenvolvido de seu método, as células-tronco induzidas poderão ser aplicadas no tratamento do mal de Parkinson, de lesões da coluna vertebral, do câncer e de uma longa lista de doenças.
Yamanaka lidera a linha de pesquisa de células-tronco induzidas na Universidade de Kioto, um campo em que muitos laboratórios americanos também trabalham. O cientista japonês considera os outros centros de estudo como “amigos”, embora confesse notar o “estresse” que a forte concorrência gera em si. De acordo com o pesquisador, a concorrência é “boa para os pacientes”.
O cientista japonês foi cirurgião, e durante a entrevista disse trabalhar “para curar seres humanos, não ratos”.
Com relação ao uso clínico de seus métodos, Yamanaka apontou que as possibilidades das células-tronco induzidas são tão amplas que o tempo necessário para seu desenvolvimento dependerá de cada uma das aplicações. O pesquisador japonês afirmou hoje que esta tecnologia já pode ser aplicada na indústria farmacêutica.
No entanto, Yamanaka afirmou que ainda faltam anos para poder empregar os resultados de suas pesquisas na regeneração de tecidos.
Um dos problemas a ser enfrentado no futuro é o perigo de um dos compostos que usa na transformação de células da pele em células-tronco induzidas de gerar células cancerígenas. Ele explica que o próprio uso de células-tronco embrionárias também implica um risco de se gerar células cancerígenas, mas o uso do composto c-Myc, até agora necessário em seu método, aumenta as possibilidades.
Por enquanto suas descobertas estão em fase de pesquisa, mas o potencial de seus métodos hoje em dia já é visível.
Durante a apresentação, Yamanaka mostrou um vídeo de células cardíacas que obteve a partir de células da pele. Era possível observar no filme um movimento ostensivo de contração e relaxamento.
O cientista confessou que a primeira vez que observou as imagens seu coração também “começou a bater forte”.
Como seu método ainda não está completamente desenvolvido, o processo de extrair células do paciente e obter as células específicas para um tratamento dura três meses.
Por isso, Yamanaka propôs a criação de um banco de células-tronco induzidas que barateie e acelere o processo terapêutico, já que algumas patologias exigem um tratamento muito mais rápido.