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Brasil

Chruiyot x Caldeira: fórmulas distintas na luta pelo título

Arquivo Geral

30/12/2007 0h00

Campeões da Corrida Internacional de São Silvestre e nomes de ponta do cenário do atletismo atual, o brasileiro Franck Caldeira e o queniano Robert Cheruiyot poderiam ter muito mais em comum do que as inúmeras vitórias conquistadas nas pistas e o rótulo de favoritos para a edição 2007 da competição. Mas não têm.

Desde as primeiras horas deste domingo até o início da coletiva oficial que antecede a 83ª edição da mais tradicional prova de rua do país, para ter sucesso no atletismo, não existe fórmula exata.

Com comportamentos completamente opostos, Caldeira e Cheruiyot divergem desde a alimentação até a estratégia de treinamentos e as atividades de lazer.

Medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, vencedor da Meia-Maratona do Rio, tricampeão da Volta da Pampulha e atual vencedor da São Silvestre, Franck Caldeira segue à risca o cardápio elaborado para os praticantes do atletismo. Frutas, pães e massas, com uma pequena porção de arroz e um pedaço de carne assada povoaram as refeições do campeão. Saladas, nem pensar!

“A salada não me traz ganho energético nenhum. É o famoso enfeite de prato, o mesmo que viajar com quatro pneus de estepe no porta-malas. Não tem serventia”, brincou. “Também procuro evitar ao máximo comer coisas gordurosas ou que possam causar qualquer tipo de reação negativa”, completou.

Cheruyot também não mudou seus hábitos alimentares na véspera da São Silvestre, mas, ao contrário do brasileiro, usou e abusou do bufê de saladas. “Não vejo razão para mudar minha alimentação ou qualquer coisa em minha preparação”, sintetizou o queniano.

Ainda no restaurante do hotel Trianon Paulista, que recebeu pela quarta vez seguida os atletas do pelotão de elite da São Silvestre, outro ponto divergente ficou claro na dupla: enquanto Franck Caldeira era interrompido a cada cinco minutos para posar para fotos ou dar autógrafos, Cheruyot, acompanhado do também atleta queniano Patrick Ivuti, posava para poucas fotos, a maioria a pedido de outros corredores menos famosos.

A popularidade de Franck Caldeira também se confirmou em alta durante o treino, realizado por volta das 10 horas da manhã no Parque do Ibirapuera. Desde que chegou ao local, foi cercado por corredores anônimos e freqüentadores do Parque, esbanjando simpatia e posando para incontáveis fotos.

“Essa cobrança do público é algo que encaro como um incentivo. Poucos atletas têm essa paciência com as pessoas ou para dar entrevistas, mas eu gosto, pois faz parte da profissão que escolhi”, explicou o mineiro.

Tranqüilidade, Caldeira encontrou apenas nos 34 minutos que gastou para dar uma volta completa no local, acompanhado do treinador, Henrique Viana, e de outros integrantes da equipe de seu técnico, a Pé de Vento, de Petrópolis.

Robert Cheruiyot, no entanto, optou por não seguir alguns de seus compatriotas que também foram ao Ibirapuera e, ao lado do inseparável colega Ivuti, permaneceu no lobby do hotel, deixando a derradeira preparação para o período da tarde, quando o clima estará mais parecido com o que será encontrado no horário em que a prova será disputada nesta segunda-feira. Em um raro momento de lazer, deixou o hotel caminhando até a Avenida Paulista, de onde pôde avistar o Masp, um dos principais pontos do percurso da São Silvestre.

Até quando o assunto foi a expectativa em relação ao desempenho na corrida as opiniões foram opostas. Bicampeão da prova (2002 e 2004), Cheruiyot não tem dúvidas de que está bem preparado para desempenhar um bom papel. “Não participei no ano passado, mas fiz uma boa temporada, estou bem e acredito que poderei render o meu melhor”, afirmou o atleta, que neste ano venceu a Maratona de Boston.

O brasileiro, apesar de ressaltar que também está bem preparado, não quis aumentar o peso sobre suas costas. “Este ano tenho a responsabilidade de defender o título, mas não sou Deus e não estou preocupado se vai dar para ser bicampeão ou não, até porque já faz um bom tempo que não há um bicampeão seguido (o último foi Paulo Tergat, de 1998 a 2000). Tive um ano incrível e não será a falta de um tijolo que irá derrubar o bonito muro que construí durante toda a temporada”, finalizou Caldeira.

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