Segundo a rede “Habertürk”, a vítima fatal sofreu um ataque cardíaco durante os distúrbios quando a Polícia entrou em uma avenida no centro de Istambul e lançou gás lacrimogêneo.
As pessoas que estavam perto da vítima, um homem identificado como Ishak Kalvo, tentaram levá-lo a um hospital de táxi.
Mas, devido aos distúrbios e ao fechamento de ruas, foi impossível, por isso foi necessário usar a ambulância, mas então já era tarde demais e o homem, de 55 anos, morreu no caminho.
Citando fontes da Direção Geral de Segurança, a rede “NTV” informou que 96 pessoas foram detidas durante os protestos.
Desde as 10h (4h de Brasília), militantes de sindicatos e partidos de esquerda se reuniram em diversos pontos do distrito de Beyoglu e cerca de 1,5 mil pessoas caminharam até a praça de Taksim, de onde pretendiam chegar até o local onde acontecem as reuniões do FMI e do BM.
Durante meia hora de concentração pacífica, que provocou o bloqueio do trânsito na praça, os manifestantes gritaram palavras de ordem como “FMI fora da Turquia” e levaram cartazes com os lemas “Faça com que o capitalismo passe à história” e “o Banco Mundial é um criminoso ambiental”.
Por volta das 11h30, a Polícia tentou dissolver a manifestação com tanques de água a pressão e lançando bombas de gás lacrimogêneo, para evitar que os manifestantes chegassem ao recinto onde acontecem as reuniões.
Então, e segundo mostraram as redes turcas, começaram uma série de perseguições entre policiais e manifestantes pelas ruas do centro.
Alguns manifestantes radicais lançaram coquetéis molotov nos policiais e apedrejaram algumas vitrines e pontos de ônibus.
Segundo um comunicado policial, 11 bancos, cinco estabelecimentos, seis edifícios da administração pública e oito veículos policiais foram danificados durante os distúrbios.
Além disso, a Polícia turca apreendeu cerca de dez coquetéis molotov e 29 atiradeiras, entre outros, informaram as próprias forças de segurança.
Também houve protestos pacíficos dentro do recinto onde, em meio a fortes medidas de segurança, acontecem as reuniões do FMI e do BM.
“Devemos ouvir os que protestam”, pediu o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, durante a inauguração das assembléias.
“Aceitamos as críticas e os protestos, mas devem ser feitos de forma civilizada”, afirmou, em declarações à imprensa, o ministro de Estado turco, Cevdet Yilmaz, acrescentando que estes distúrbios “não obscurecem a reunião”.
Por volta das 15h local, a situação se acalmou na praça de Taksim e na avenida Istiklal, mas continuaram ocorrendo atritos em algumas vielas do centro de Istambul.
Segundo a Agência Efe pôde comprovar, até à tarde, os transeuntes que passaram pelo distrito de Beyoglu, onde ocorreram os distúrbios, tiveram que se proteger com lenços e máscaras para evitar o efeito do gás lacrimogêneo, estagnado no ar devido à falta de vento.