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Brasil

Cepal propõe novo pacto pela igualdade de gênero na A.Latina

Arquivo Geral

13/07/2010 17h25

A Cepal propôs hoje em Brasília um novo “pacto social e fiscal”, a fim de que os Governos da América Latina e do Caribe se comprometam em superar todas as desigualdades e avancem para uma paridade no trabalho entre homens e mulheres.

“A crise (financeira) marcou um ponto de desvio, que quebra a continuidade de um modelo e replanta o desafio da igualdade de gênero”, disse a secretária executiva da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.

Na primeira jornada da 11ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, Alicia afirmou que a pobreza na região “tem o rosto das mulheres”, que são as que mais sofrem os abismos sociais em seus múltiplos papéis de mães, esposas e trabalhadoras.

Alicia citou os dados da Cepal, segundo os quais a pobreza na região caiu 11% desde “a década perdida de 1980”, mas lembrou que ainda existem 189 milhões de pessoas pobres, que representam 34,1% da população.

Segundo Alicia, o crescimento econômico “é a condição necessária para igualar”, mas não suficiente para solucionar as diferenças de gênero, que devem ser abordadas dentro de “um marco normativo” e “institucional”.

A secretária executiva da Cepal mencionou a contribuição de mulheres como a chilena Michelle Bachelet, presente na conferência, a argentina Cristina Kirchner, e a costarriquenha Laura Chinchilla, que foram eleitas presidentes em seus países.

Citou também, sem nomeá-la, a candidata à Presidência do Brasil Dilma Rousseff. Se ela “ganhar ou não” as eleições de outubro, terá contribuído para abrir um “debate sobre as questões de gênero na política do país”.

No entanto, Alicia afirmou que a participação das latino-americanas na política ainda é reduzida e limitada pelo “estereótipo que o homem é quem decide”, seja no Estado ou nos lares.

Ela apresentou o documento “Que tipo de Estado? Que tipo de igualdade?”, elaborado pela Cepal e que coloca propostas dirigidas a reforçar o papel da mulher na sociedade e a combater a discriminação em todos os planos.

O documento sustenta que “a igualdade de gênero deve constar na busca pela igualdade em todos os âmbitos”, desde o familiar até o trabalhista, econômico e político.

Além disso, menciona como “urgente” a busca pelo “gozo efetivo de direitos” como o “desenvolvimento produtivo e famílias equitativas”, o acesso “à tomada de decisões em todas as esferas”, a “autonomia física como direito a viver uma vida livre de violência” e “o exercício de todos os direitos reprodutivos”.

Também propõe um “pacto fiscal” para reduzir a pobreza e outro “social” para eliminar as diferenças de gênero, os conflitos raciais e tudo o que for relacionado a qualquer tipo de discriminação.

A ex-chefe de Estado chilena Michelle Bachelet (2006-2010) disse que “é necessário criar um verdadeiro ciclo virtuoso entre o Estado, a sociedade e a própria família”, a fim de “socializar a igualdade” e “vencer a histórica marca do poder masculino”.

Michelle disse, no entanto, que a “luta pela igualdade” não pode ser direcionada a um “machismo piedoso”, pois não se trata de “dar algo às mulheres”, mas de incluir as questões de gênero no marco de um amplo “compromisso contra todas as desigualdades”.

O único homem que discursou na abertura foi o chanceler brasileiro, Celso Amorim, que afirmou que fortalecer a democracia tem como imperativo “uma maior presença da mulher em todas as ordens da sociedade”.

Amorim avaliou a recente criação de um departamento para mulheres nas Nações Unidas que, segundo ele, “introduz definitivamente o debate sobre a igualdade (de sexos) na agenda internacional”.

A conferência será encerrada na sexta-feira, quando deve ser aprovado o Consenso de Brasília, documento que recolherá o resultado de quatro dias de debates.

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