Uma carta de uma suposta funcionária do sítio do goleiro Bruno que foi entregue à redação da Rede Record de Minas Gerais será encaminhada às autoridades na tarde desta sexta-feira (16). No documento a testemunha relata detalhes da estadia de Eliza Samudio no sítio.
A mulher, não identificada, diz ter sido ameaçada caso contasse a alguém o que teria presenciado na casa. A suposta testemunha diz que recebeu a tarefa de cuidar do filho de Eliza após uma pessoa chamada por ela de Júnior agredir a jovem, que ameaçou “contar tudo à polícia”. Em trechos da carta, a autora narra os acontecimentos da chegada da vítima ao sítio. “Eu estava no sítio do Bruno no dia em que a Eliza chegou. Ela não estava machucada. Quando ela chegou e não viu o Bruno, começou a gritar com o Sérgio e o Macarrão. Dizia o todo tempo que iria contar tudo à polícia e à imprensa se o jogador não aparecesse. O Júnior levantou e deu dois tapas na cara dela. Ela começou a gritar, e Sérgio levou ela para um quarto sozinha, e mandou que eu cuidasse da criança. Disse a ela que só ia ter a criança de volta quando se acalmasse. Na hora do almoço comeu pouco, porque estava com medo da comida estar envenenada” ressalta a testemunha.
Ainda segundo a carta, Bruno, o principal suspeito do caso, chegou ao sítio e ficou surpreso com a presença da ex-namorada. “Por volta das 16h, Bruno chegou. Ela estava amamentando a criança comigo na sala. Assustado, Bruno perguntou para Macarrão o que significava aquilo. Quando ele perguntou quem levou ela pra lá, Macarrão respondeu: ‘Eu e Júnior’. Bruno, nervoso, dizia: ‘Quero que vocês levem ela daqui. Agora não quero esta mulher aqui. Ela já acabou com a minha vida uma vez e não vai acabar de novo’. Ele disse para o Macarrão: ‘Vocês querem acabar com a minha carreira, com minha vida? Não quero nem saber disso. Vai embora, não me ligue. Resolvam vocês, o problema é de vocês. Esta mulher já fez merda demais na minha vida’. Bruno foi até a varanda e chamou um táxi pelo celular e foi embora. Júnior foi atrás dele e pediu para não falar nada pra ninguém que ele estava em Minas. Depois que Bruno foi embora, eles ficaram muito nervosos e Eliza, a todo instante, ameaçava Macarrão”, afirma a testemunha.
Em outro trecho, a pessoa afirma que um ex-policial de nome Emerson, chamado por Macarrão de Neném, foi até o sítio. Para a polícia, o ex-policial conhecido como Neném é Marcos Aparecido dos Santos, que está preso pela suspeita de assassinar Eliza.
“Foi então que já era noite quando um carro Siena preto chegou no sítio e entrou um homem magro, careca, negro, chamado Emerson. O Macarrão chamava ele de Neném. Ele foi ao encontro de Eliza e perguntou: ‘Quanto você quer pra ficar calada?’. ‘R$ 50 mil e um apartamento aqui perto do Bruno’. Ele respondeu: ‘Não tenho nada a ver com o Bruno, só comigo, sua cadela. Quem contou para você sobre nossa ação?’. Ela não respondeu. Sérgio entregou a ela um celular. Ela ligou para uma amiga e disse, na presença de todos: ‘Está tudo bem. Estou conseguindo tudo, até o apartamento que eu falei. Me espera aí, que até no fim de semana estarei aí’. Quando ela desligou o celular, eles queriam que ela falasse com quem estava falando, e ela não quis falar. E Neném agarrou seus cabelos e bateu nela com socos e chutes. O nariz dela começou a sangrar, e eles mandaram que eu cuidasse dela. Coloquei gelo, mas o olho dela estava muito roxo. Neném foi, e falou: ‘Acabou, agora é com a gente’.
A carta conta os detalhes apenas do dia 1º de julho. A suposta testemunha diz que mandaram que ela ficasse calada caso fosse interrogada pela polícia. Segundo os trechos da carta divulgados pela Rede Record, a autora não deixa claro se Eliza foi morta. “Neném e Maria Cláudia, sua mulher, saíram em um carro verde. Este carro é importado. Eliza foi no porta-malas. Ela está sem dentes, e usa uma peruca loira, e está muito magra. Ela quer seu filho. Neném é um ex-policial e está com ligação direta com a polícia. Quando a polícia está perto de chegar perto deles, os próprios policiais avisam, e eles vão pra outro lugar”.
A testemunha alega ter sido ameaçada por Neném que deu a ela R$ 5 mil e a mandou “sumir”, e que caso abrisse “a boca, estava morta”. No outro dia, ela foi levada a uma casa aonde teria encontrado novamente com Eliza. Segundo a mulher, a vítima estava sem dois dentes da frente e muito abalada. Depois desse encontro, a testemunha não teria mais encontrado com Eliza. Vários dos eventos contados na carta batem com informações investigadas pela polícia.
Entenda o caso
O goleiro é um dos principais suspeitos do desaparecimento e assassinato de sua ex-namorada, Eliza Samudio. A jovem desapareceu no início do mês de junho deste ano, quando tentava provar na justiça a paternidade do filho de 5 meses. As investigações levam a crer que a jovem teria sido sequestrada e morta em uma casa, em Vespasiano, Minas Gerais.
Indícios de envolvimento de Bruno no desaparecimento de Eliza resultaram na prisão preventiva do jogador no dia 7 de julho. Bruno e mais sete pessoas envolvidas estão mantidas no presídio Nelson Hungria, em Belo Horizonte.
Na noite de ontem (15), foi negado o pedido de habeas corpus do goleiro Bruno e outros seis presos envolvidos no desaparecimento da jovem.