FRANCISCO LIMA NETO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Um carro de luxo da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa desde maio sob acusação de lavar dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi apreendido pela Polícia Militar na madrugada de domingo (9), enquanto era dirigido pelo filho dela na zona leste de São Paulo.
O veículo é um Mercedes-Benz GLC 300, que pode custar cerca de R$ 500 mil.
A Polícia Militar recebeu alerta após o carro ser detectado na avenida Salim Farah Maluf, na altura do número 500, no Tatuapé, sentido centro. O carro dirigido por Giliard Vidal dos Santos foi interceptado, e a PM constatou que o veículo era alvo de mandado de busca e apreensão decorrente da Operação Vérnix, da Polícia Civil de São Paulo, que culminou na prisão de Deolane.
Nada de ilícito foi encontrado com o filho de Deolane, que foi liberado.
A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que as investigações continuam pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e que os detalhes serão preservados para garantir a autonomia ao trabalho policial.
A defesa da influenciadora foi procurada por ligação e mensagem na tarde desta segunda-feira (10), mas não respondeu até a publicação deste texto.
Segundo a investigação, a quebra dos sigilos bancários de Deolane na Operação Vérnix demonstrou que Deolane movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e “aparente respeitabilidade social” para colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.
Os advogados de Deolane sustentam que a influenciadora é inocente e não possui qualquer vínculo com organizações criminosas. Também afirmam que os rendimentos da influenciadora possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.
Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à Folha de S.Paulo que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola, apontado como chefe do PCC.
Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.
O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.
Após ser presa, Deolane chorou durante a audiência de custódia. “Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos, eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, afirmou.
Ela não informou na audiência quem seria o seu cliente.