FÁBIO PESCARINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As duas câmeras com inteligência artificial instaladas nos km 17 e 18 da rodovia Raposo Tavares, em trecho na cidade de São Paulo, flagraram cerca de mil casos de falta de cinto de segurança e uso de celular ao volante em apenas 72 horas durante recente avaliação.
Instalados em março, os equipamentos já passaram pelos períodos de testes, mas os flagrantes ainda não viram multas. Isso irá acontecer quando estiver ativa a parceria com a Polícia Militar Rodoviária, que vai fazer as autuações questionada por email sobre a data para iniciar a operação, a PM não respondeu até a publicação deste texto.
Esses aparelhos fotografam motoristas que usam celular enquanto dirigem e também flagram a falta de cinto de segurança, tanto do condutor quanto do passageiro do banco dianteiro do veículo.
Nos flagrantes na Raposo Tavares, 40% foram por falta de cinto de segurança entre passageiros, 30% pelo motorista e outros 30% de condutores que usavam o celular enquanto dirigiam.
As câmeras captam imagens com alta qualidade, inclusive à noite e de veículos em alta velocidade.
Por lei, elas não multam. Quando detectam uma possível infração, a imagem é enviada à Polícia Militar Rodoviária, que acessa a foto em alguma base da instituição ou em local exclusivo no centro de controle de operações da concessionária responsável pela estrada. Se houver confirmação da irregularidade, a multa é emitida.
A concessionária Ecovias Raposo Tavares planeja instalar mais duas câmeras semelhantes na rodovia e na Castelo Branco, também em trecho da cidade de São Paulo. A data ainda não foi informada.
Segundo o CBT (Código Brasileiro de Trânsito), não usar cinto de segurança inclusive passageiros é considerado infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos no prontuário da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Dirigir segurando ou manuseando celular é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH.
Câmeras com inteligência artificial para fiscalização de trânsito se multiplicam pelas estradas paulistas.
Há equipamentos que flagram falta de cinto de segurança e uso de celular espalhados por estradas do interior, principalmente, das regiões de Campinas e Ribeirão Preto.
E agora chegam à região metropolitana de São Paulo. No último dia 1º, começaram a operar (e a notificar a polícia para possíveis multas) alguns desses equipamentos no trecho do sul e leste do Rodoanel.
De acordo com a concessionária SPMar, em 28 dias de monitoramento no período de testes, entre 12 de maio e 9 de junho, 4.879 veículos foram flagrados com essas infrações de trânsito, o que representa uma média diária de mais de 168 casos.
Do total de flagrantes, 2.420 eram condutores sem cinto, 1.440 passageiros estavam sem o dispositivo de segurança afivelado e 1.019 motoristas usavam celular. Essas pessoas não foram multadas, pois o radar ainda não estava em operação.
O Rodoanel Norte, inaugurado no fim do ano passado, tem 59 câmeras com IA em operação em 24 km de extensão, na ligação entre as rodovias federais Fernão Dias e Presidente Dutra.
De acordo com a concessionária Via Appia, esses dispositivos são capazes de identificar comportamentos que representam risco à circulação, como veículos parados sobre a faixa de rolamento, manobras irregulares e utilização indevida do acostamento.
“Todos os alertas gerados pela inteligência artificial são recebidos pelo CCO [Centro de Controle Operacional] da concessionária e também disponibilizados ao policial rodoviário que atua no local, permitindo rápida avaliação e adoção das medidas operacionais e de fiscalização cabíveis”, diz a concessionária, em nota.
Esses radares não têm funcionalidade automática de capturar falta de cinto e uso de celular, mas o policial rodoviário que fica no CCO pode capturar a imagem, para efeito de comprovar infração.
No caso do sistema Castelo-Raposo, conforme a concessionária Ecovias, a tecnologia das câmeras com IA que flagram celular e cinto ainda não permite fiscalizar veículos parados, pedestres na pista, objetos na via ou transporte inadequado de crianças. No entanto, a empresa avalia a possibilidade de incorporar essas funcionalidades nos equipamentos.
Nos contratos recentes de concessão para dez empresas, afirma a Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo), há previsão para a utilização de tecnologias inteligentes de monitoramento, incluindo câmeras e softwares que podem flagrar, inclusive, outros tipos de infração, como caminhão à esquerda ou veículo trafegando pelo acostamento.