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Brasil teve 26 assassinatos de ambientalistas em 2025 e ocupa 2° lugar em ranking global

Levantamento aponta que sete casos envolveram territórios indígenas e outros 14 tiveram agricultores familiares entre os atingidos

Redação Jornal de Brasília

16/09/2026 14h20

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Foto: Giles Clarke/ Getty Images

JÉSSICA MAES
FOLHAPRESS

O número de defensores ambientais assassinados no Brasil mais do que dobrou em 2025: foram 26 homicídios no último ano e 12 em 2024. O país caiu do 4º para o 2º lugar no ranking mundial de mortes de ambientalistas da ONG internacional Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16).

O índice representa um retrocesso na segurança de ativistas brasileiros que defendem suas terras e modos de vida e o Brasil volta à posição que ocupava em 2023 e 2022.

A alta foi registrada no mesmo ano em que o país recebeu, em Belém (PA), a COP30, cúpula sobre mudança climática das Nações Unidas. O evento teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.

Quase todos os casos documentados no Brasil em 2025 tiveram como causa principal a disputa por terra, incluindo sete ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares.

Rondônia e Pará respondem, juntos, por metade das mortes, segundo o relatório. Na região, as comunidades tradicionais são pressionadas pelo avanço das fronteiras agrícola e extrativista.

“A falta de resolução sobre os seus direitos fundiários deixam povos indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, intimidação e violência”, afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da Global Witness.

Ela acrescenta, porém, que essas comunidades não são passivas. “Elas estão se organizando, recorrendo à lei e desenvolvendo as suas próprias estratégias para defender seus territórios e seus direitos”, diz.

A América Latina segue sendo o lugar mais perigoso para defensores ambientais, com 105 assassinatos em 2025 —o que equivale a quase nove em cada dez mortes ao redor do globo. A lista é encabeçada pela Colômbia, com 39 homicídios no ano passado.

Quase metade dos colombianos mortos era indígena, e outros 15 eram agricultoras familiares.

“Identificamos possíveis vínculos com o crime organizado em 17 mortes e relacionamos outras cinco a pistoleiros contratados para executar assassinatos”, diz o documento.

No centro dessa violência está o departamento de Cauca, no sudoeste da Colômbia. Sua localização estratégica, próxima à fronteira com o Equador e ao acesso a rotas de exportação pelo Pacífico, a região se torno um corredor do tráfico de cocaína.

“O cultivo de coca aumentou cinco vezes na última década, em meio à crescente influência tanto de grupos armados colombianos como de cartéis mexicanos”, afirma a ONG.

O índice global do último ano teve queda de 15% em relação a 2024 (142 assassinatos) e 37% na comparação com 2023 (196).

“A realidade é que esses números provavelmente estão muito abaixo do total real, já que muitos casos não são denunciados”, observa a organização, em comunicado. Insegurança generalizada, mortes em massa em situações de conflito e repressão ao documentar abusos estão entre os motivos listados para a subnotificação.

A ONG ressalta que regimes de repressão dos direitos civis são mais comuns na África e na Ásia, mas têm ficado mais frequentes nos países latinos.

“Dos 15 países onde documentamos assassinatos, 10 foram classificados como repressivos pelo Civicus Monitor, que acompanha as liberdades cívicas. A Nicarágua foi classificada como fechada, a categoria mais repressiva”, acrescenta.

Desde 2012, quando começa a série histórica da entidade, foram 2.375 assassinatos e desaparecimentos documentados.

O relatório anual mostra, ainda, que quase três quartos das mortes registradas em 2025 foram de indígenas (47) e pequenos agricultores (44). Sete dos indígenas mortos atuavam como guardas na proteção de seus territórios.

Disputas por terra foram o motivo para mais da metade (84) das mortes de 205, seguido por mineração (11), extração de madeira (8) e agronegócio (6).

A organização destaca que a violência contra ativistas na América Latina é agravada pelo crescente poder do crime organizado. Foram identificados possíveis vínculos com organizações criminosas nos seis países que lideram a lista —Colômbia, Brasil, Filipinas, Honduras, México e Guatemala—, cinco deles na região.

Fora da América Latina, a Ásia respondeu por 12% dos assassinatos em 2025, a maioria deles entre filipinos (12). No continente, também foram registradas mortes na Índia e na Turquia, sediará a cúpula climática da ONU deste ano.

A Global Witness pondera que os homicídios são a forma mais extrema de punição enfrentada pelos ativistas, mas que, por trás deles, há um “iceberg oculto” de ataques não letais. Essas estratégias vão desde campanhas de difamação e criminalização a ameaças.

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