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Brasil investiga disparada de incêndios ‘criminosos’ na Amazônia

Ministro do Meio Ambiente não descarta ligação com período eleitoral; estado registra quase o dobro de focos de queimadas em relação a outubro de 2025

Redação Jornal de Brasília

14/10/2026 14h10

area desmatada amazonia

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

O governo federal investiga uma “ação criminosa deliberada” por trás da disparada de incêndios no estado do Amazonas, sem excluir uma conexão com o segundo turno das eleições presidenciais, disse à AFP o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.

Desde o início do mês, o Amazonas registra quase o dobro de focos de incêndio que em todo outubro de 2025, e a fumaça encobre há dias a capital, Manaus, principal cidade da Amazônia Legal.

A maior floresta tropical do planeta está este ano sob a ameaça do El Niño, fenômeno climático que aumenta as temperaturas e provoca secas na região.

O ministro sobrevoou no domingo as áreas afetadas e viu “centenas” de focos no meio da floresta preservada, longe das áreas agropecuárias.

Isto demonstra que não se tratam de queimadas agrícolas que fugiram do controle, algo comum na Amazônia, mas de “uma ação criminosa deliberada para promover a degradação de áreas de floresta preservada” e tomar posse de terras de forma ilegal, disse Capobianco em entrevista à AFP.

Os responsáveis agem “aparentemente de forma organizada e muito intensa”, acrescentou.

Capobianco também afirmou que “há uma possibilidade de haver uma conexão direta com o período eleitoral”, embora por enquanto esta seja apenas uma “linha de investigação”.

“O fato de alguns políticos importantes terem usado essa informação em propaganda eleitoral indica que há uma potencial conexão”, insistiu Capobianco, sem dar mais detalhes.

O governador reeleito do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou recentemente os incêndios no Amazonas, acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de negligência.

O Brasil elege seu presidente no segundo turno, no próximo 25 de outubro, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).

Nesta quarta-feira, Capobianco viaja novamente a Manaus com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para “identificar os responsáveis”.

A Polícia do estado do Amazonas também investiga os incêndios.

– Manaus envolta em fumaça –

Segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas acumula 1.608 focos de queimadas desde o início do mês, frente a 874 em todo outubro de 2025.

Em setembro, o estado registrou mais de 3.700 focos, quase o quádruplo de um ano atrás.

Os números, no entanto, são comparáveis aos níveis mínimos históricos de 2025.

A fumaça deteriorou gravemente a qualidade do ar em Manaus, de 2,3 milhões de habitantes, e a Prefeitura fechou as escolas públicas desde a última sexta-feira.

O governo federal enviou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas, e espera reverter a situação “nos próximos dias”, disse o ministro.

Capobianco destacou que o desmatamento na Amazônia caiu pela metade entre 2022 e 2025.

AFP

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