O Brasil formalizou, nessa segunda-feira (23), uma parceria com a Interpol para intensificar o combate ao tráfico transnacional de drogas e ao crime organizado na América do Sul. A iniciativa é liderada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com financiamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), por meio do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), e apoio operacional da Polícia Federal.
A formalização ocorreu durante a assinatura de uma Declaração de Intenções, no Palácio da Justiça, com a presença de autoridades brasileiras e internacionais. A cooperação prevê a atuação integrada de especialistas em segurança pública de países sul-americanos, com acesso às bases de dados e sistemas da Interpol e das agências nacionais. O objetivo é ampliar o compartilhamento de informações estratégicas e viabilizar operações conjuntas em tempo real contra redes criminosas transfronteiriças.
Na solenidade, o ministro Wellington César Lima e Silva destacou que o mecanismo de cooperação trará resultados práticos e duradouros. “Temos a oportunidade, com a liderança de um brasileiro na Interpol, de ampliar os benefícios dessa organização para a América do Sul, com impacto regional e reflexos diretos na segurança pública do Brasil”, afirmou.
O programa terá como base principal o Escritório Regional da Interpol em Buenos Aires, na Argentina, onde ficarão sediadas as equipes de especialistas. No Brasil, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus, funcionará como polo complementar, focado na segurança da região amazônica e no enfrentamento aos fluxos ilícitos nas fronteiras.
O Brasil será o principal financiador da iniciativa. Agentes selecionados da Polícia Federal e de forças policiais parceiras da região participarão do programa, recrutados pela Interpol para atuar de forma integrada, com intercâmbio permanente de dados e inteligência.
Entre as prioridades estão o mapeamento e monitoramento contínuo das rotas do tráfico de drogas e atividades criminosas relacionadas, especialmente na Amazônia. O modelo segue a experiência das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenadas pela Polícia Federal, ampliando essa atuação para o âmbito regional.
A iniciativa também prevê o fortalecimento da identificação, rastreamento, recuperação e destinação de ativos de origem ilícita, visando descapitalizar organizações criminosas e reinvestir os recursos em políticas públicas.
O diretor-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que a organização disponibilizará todas as suas ferramentas e capacidades à força integrada. “Todos os instrumentos e capacidades da Interpol serão colocados à disposição dessa força internacional, que contará com a presença de policiais da organização e de agências da região”, disse.
A secretária da Senad, Marta Machado, destacou que a iniciativa representa um avanço na cooperação regional e amplia a integração entre os países sul-americanos. O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, enfatizou a experiência da corporação na implantação e gestão de bases integradas de investigação.
Antes do evento, o ministro reuniu-se com Valdecy Urquiza para alinhar estratégias entre as instituições.