O Brasil é um modelo na luta contra a fome para os países em desenvolvimento graças as fortes políticas sociais implementadas na última década, segundo um relatório divulgado hoje pela ONG internacional Action Aid.
A ONG, dedicada à luta contra a pobreza, publicou hoje o relatório “Quem está lutando realmente combatendo a fome?”, por ocasião da próxima cúpula da ONU para avaliar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (OMD), no qual destaca o trabalho do Brasil neste campo.
Pela publicação, dentre 28 nações pobres, 20 estão longe de reduzir pela metade a fome até 2015, como estabelece o primeiro dos objetivos da ONU.
Segundo ActionAid, o Brasil conseguiu em 2006, nove anos antes do prazo imposto pela ONU de reduzir pela metade a fome no país, é o que melhor está lutando contra este problema.
ActionAid atribui esse bom resultado principalmente aos programas sociais, como o Fome Zero, uma série de iniciativas governamentais de apoio aos habitantes mais pobres, que inclui o Bolsa Família, subsídio mensal às famílias de baixa renda.
“A combinação de políticas de crédito e sociais ajudaram a reduzir a pobreza e a fome no Brasil”, explicou à Agência Efe Rosana Heringer, diretora de ActionAid no Brasil.
“Além de iniciativas como Fome Zero e Bolsa Família, o Brasil teve muita pressão da sociedade civil para melhorar a situação social”, continuou Heringer.
Brasil recebeu boas pontuações em quatro das áreas públicas analisadas no relatório de Action Aid. Foi primeiro na proteção social, no marco legislativo e na igualdade de gênero, e quarto nos direitos à alimentação.
A pior nota obteve na área de agricultura familiar, na 26ª colocação, superando unicamente a Guatemala e a República Democrática do Congo.
“O volume de recursos públicos para a agricultura empresarial é muito grande em comparação com os que apóiam à agricultura de pequena escala”, apesar de que geram a maior parte dos produtos agropecuários do país, explicou.
Heringer matizou que mesmo assim, na última década o país teve importantes avanços em iniciativas de apoio a pequenos produtores.
Além de uma análise da atuação dos países pobres nos Objetivos do Milênio, o texto divulgado pela ONG mostra que entre os países ricos, os três que mais apresentam cooperação são Luxemburgo, França e Espanha.