O Brasil deu hoje mais um passo em sua busca por mais representatividade no cenário internacional ao garantir, pelos próximos dois anos, um assento de membro não-permanente no Conselho de Segurança (CS) da ONU.
A candidatura do Brasil, que não enfrentou a concorrência de nenhum outro país da região, foi apoiada por 182 dos 190 membros da ONU. Além de sete abstenções, a votação também registrou um voto para a Venezuela, apesar de esta nação não ter se inscrito na disputa.
A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, reconheceu que, nos últimos anos, o país obteve importantes conquistas no cenário internacional, como a recente escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
“São conquistas muito positivas. Trabalharemos para merecer muitos mais”, afirmou a diplomata, que lembrou que o país também sediará a Copa do Mundo de futebol de 2014.
Maria Luiza também destacou que o Brasil pode ajudar o Conselho de Segurança com a experiência adquirida no processo de integração da América do Sul, na chefia militar da missão da ONU no Haiti (Minustah) e no progresso econômico que experimentou nos últimos tempos, apesar da crise global.
Sobre a crise em Honduras, onde o Brasil dá abrigo ao presidente deposto Manuel Zalaya em sua embaixada, a diplomata disse não considerar necessária a inclusão do tema na agenda do principal órgão das Nações Unidas.
“É preciso estimular as conversas e isso já está acontecendo. Houve uma missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) em Honduras, os esforços continuam. Portanto, esperamos que o Conselho não precise voltar a tratar do assunto”, declarou.
A eleição dos novos membros não-permanentes do CS foi a primeira em que os candidatos de cada região foram escolhidos por consenso, segundo a publicação especializada “Security Council Report”.
O Brasil, especificamente, teve o apoio do Grupo de Países da América Latina e do Caribe na ONU (Grulac), o que praticamente garantia sua escolha para o lugar da Costa Rica, uma das ocupantes dos dois assentos reservados à região – outro ficará com o México até o ano que vem.
A presença do Brasil no órgão mais poderoso da ONU também é vista como uma oportunidade para o país avançar em sua antiga campanha para virar um membro permanente do CS.
“Vamos atuar para mostrar que nossa presença a longo prazo, como membro permanente, pode agregar força e legitimidade ao Conselho”, afirmou Maria Luiza.
Esta será a décima vez em que uma delegação brasileira integrará o CS. A última foi nos anos de 2004e 2005.
“Acho que no ano que vem vamos ter um Conselho de Segurança ainda mais forte, com a presença de dois grandes países, Brasil e Nigéria, e duas nações, Líbano e Bósnia, que sofreram conflitos e podem contribuir com sua experiência”, disse, por sua vez, o embaixador do Reino Unido na ONU, John Sawers.
Já o ministro de Assuntos Exteriores da Bósnia, Sven Alkalaj, ressaltou que a inédita participação de seu país no CS é resultante “do longo caminho” que os bósnios percorreram desde que, no começo dos anos 1990, “eram um dos temas” tratados com regularidade pelo órgão.
Segundo Alkalaj, a meta da Bósnia como membro não-permanente do Conselho é promover o uso da diplomacia preventiva e, consequentemente, “nunca mais permitir” conflitos como os registrados após o desmembramento da antiga Iugoslávia.
A renovação do CS acontece todos os anos, quando são trocados cinco dos dez assentos não-permanentes do órgão, distribuídos entre nações da Europa Ocidental, do leste europeu, da África, da Ásia e da América Latina e do Caribe.
Dentro de suas respectivas regiões, os outros eleitos na votação de hoje, além de Brasil e Bósnia, foram Nigéria, Gabão e Líbano.