O Brasil estudará “de maneira séria” as ameaças de grupos opositores bolivianos ao fornecimento de gás ao país e à Argentina, online feitas no marco dos protestos contra o Governo de Evo Morales, declarou hoje o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
“Temos que saber o grau de seriedade destas ameaças”, mas “devemos tratá-las de maneira séria”, disse aos jornalistas o ministro.
Amorim explicou que entrará em contato com a embaixada brasileira em La Paz para conhecer a situação e analisar “como o Governo boliviano pode garantir a integridade” do gasoduto que abastece tanto o Brasil quanto a Argentina.
O chanceler lembrou que “no passado já houve ameaças similares e foram resolvidas” e disse que, se for necessário, está disposto a “ter contato” com os Governos regionais bolivianos.
Em nota divulgada na véspera, governadores regionais e dirigentes cívicos opositores de cinco regiões bolivianas ameaçaram estender os bloqueios de estradas e também adotar ações para impedir as exportações de gás, que têm seus principais mercados no Brasil e na Argentina.
Os líderes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales restitua a essas cinco regiões a receita petrolífera que o Governo nacional tirou das mesmas em janeiro para o pagamento de um bônus de ajuda aos maiores de 60 anos.
Além disso, anunciaram que impedirão em seus territórios o referendo sobre a nova Constituição convocado para dezembro pelo Governo de Evo Morales.