No Dia da África, o governo Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a ampliação das relações do Brasil com países africanos em áreas como comércio, cultura, ciência e diplomacia. Segundo a reportagem, a estratégia integra o esforço de diversificar parceiros comerciais e reforçar laços históricos e institucionais com o continente.
Na atual gestão, Lula fez sete viagens à África, passando por África do Sul, Angola, São Tomé e Príncipe, Egito, Etiópia e Moçambique. No mesmo período, o Brasil firmou acordos com países africanos em áreas como agricultura, aviação civil, defesa, saúde, educação e turismo. Em Brasília, o presidente também recebeu seis chefes de Estado africanos, entre eles Patrice Talon, de Benim, Bola Tinubu, da Nigéria, e João Lourenço, de Angola, o que resultou em acordos e memorandos de entendimento.
As relações entre Brasil e África foram lembradas também pelo peso histórico da escravidão. O texto cita que o Brasil foi o país que mais recebeu africanos escravizados, cerca de 4,8 milhões dos 12 milhões de seres humanos sequestrados do continente africano entre os séculos 16 e 19. Na cerimônia no Itamaraty, o embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng, agradeceu o voto do Brasil na ONU para reconhecer a escravidão de africanos como maior crime contra a humanidade da História e defendeu parcerias construídas com planejamento compartilhado e responsabilidade comum.
O Ministério das Relações Exteriores destacou que o comércio com a África vem melhorando, embora ainda represente uma fatia pequena do fluxo comercial brasileiro. Em 2025, a participação africana foi de 5,70%, com corrente comercial de US$ 23,7 bilhões e superávit de US$ 7,2 bilhões para o Brasil. Desde 2020, o comércio entre Brasil e África cresceu 52%, embora tenha recuado 2,3% em 2025 na comparação com 2024. Em relação a 2023, primeiro ano do governo Lula, o avanço foi de 16%.
Para marcar a data, o Itamaraty promoveu um seminário sobre a parceria entre os países, e Lula participou do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, organizado pelo Ministério da Educação. No campo científico, o Ministério da Ciência e Tecnologia anunciou o relançamento do Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia, o ProÁfrica, que estava sem editais desde 2011. A iniciativa, liderada pelo CNPq, prevê investimento de R$ 25 milhões em cooperação científica, tecnológica e de inovação em áreas como meio ambiente, sustentabilidade, alimentação, agricultura, energia, recursos naturais, saúde e cultura.