A força da recuperação da economia brasileira após a crise já em 2009, antes de muitos outros países da América Latina, é um dos fatores que contribuirão para o crescimento da região em 2010, disse hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo a entidade, a América Latina terá um ano melhor que o previsto, com crescimento de 3,7%, graças ao aumento da demanda interna e à aceleração econômica no resto do mundo.
Além disso, o FMI demonstrou aceitar os controles estatais sobre capitais, como os impostos criados pelo Governo brasileiro, em postura diferente do ceticismo inicial demonstrado pelo organismo em relação à utilidade deste tipo de medida.
De acordo com o fundo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançará 4,7% neste ano, o que representa uma grande revisão em alta contra o índice de 3,5% previsto em outubro.
Em 2011, entretanto, a previsão é de que o crescimento da economia brasileira desacelerará devido em parte ao fim gradual das iniciativas de estímulo do Governo e ficará em 3,7% – ainda assim, 0,2 ponto percentual acima do cálculo anterior.
“A maior parte da América Latina se recupera bem, embora a uma taxa menor do que a Ásia”, afirmou Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, em entrevista coletiva.
A entidade também prevê que o crescimento latino-americano terá sustentação, dado que a demanda interna é “bastante enérgica”, explicou Jörg Decressin, chefe de Estudos Econômicos Mundiais do departamento de análise do FMI.
A aceleração econômica no resto do mundo também ajudará a América Latina, já que poderá aumentar suas exportações, disse Decressin.
O FMI subiu sua previsão de crescimento para região em 0,8 ponto percentual para este ano. A taxa de 3,7%, entretanto, ainda fica abaixo dos 4,1% previstos pela Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Para 2011, o fundo prevê um crescimento de 3,8%, um décimo acima do cálculo de outubro.
Esses números estão muito atrás dos da Ásia, onde o crescimento da China voltará a bater nos dois dígitos, ao alcançar 10% neste ano, e a Índia avançará 7,7%.
O vigor da Ásia beneficia especialmente o Cone Sul, que é um importante fornecedor de matérias-primas.
Além do Brasil, outra economia que contribui para essa melhora na perspectiva de crescimento para 2010 é a do México, que finalmente deixou sua recessão profunda para trás, segundo o FMI.
A economia mexicana crescerá 4% neste ano, 0,7 ponto percentual a mais do que o calculado anteriormente, após o trauma da queda de 6,8% em 2009.
No ano que vem, o crescimento do México será de 4,7%, dois décimos a menos do que o estimado pelo FMI em outubro.
O organismo só fornecerá dados sobre os outros países latino-americanos em abril.
O México, como outros países latino-americanos estreitamente vinculados aos Estados Unidos, se beneficia com a recuperação mais rápida do que o esperado da economia americana, que crescerá 2,7% este ano, segundo o FMI.
Em outubro, o avanço previsto era de apenas 1,5%. Em 2011, a expansão americana cai para 2,4%, de acordo com os cálculos da entidade.
O FMI prevê duas velocidades para a recuperação mundial, pois a retomada nos países ricos é mais fraca do que após recessões anteriores, enquanto em muitos dos emergentes “a atividade será relativamente vigorosa, principalmente, graças ao dinamismo da demanda interna”, segundo o relatório.
A organização prevê que os preços das matérias-primas exportadas pela América Latina subirão mais graças à demanda de outros países emergentes, mas a pressão em alta “será moderada”, dado o alto nível de reservas e a grande capacidade de produção não utilizada nesse setor.
A recuperação nos países emergentes e as baixas taxas de juros nas nações ricas trouxeram um grande fluxo de capital estrangeiro para a América Latina, que alimentou altas exponenciais de suas bolsas no último ano.
Mesmo assim, o FMI disse que não vê por enquanto a aparição de bolhas nos preços das ações, nem mesmo na China, onde a expansão do crédito foi maior.
Entretanto, esse perigo existe, e por isso os países que recebem dinheiro externo deverão tomar medidas de precaução, diz o FMI.
A entidade recomenda que esses países reduzam o gasto público para evitar uma alta nos juros e que permitam a valorização de suas moedas.