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Brasil

Bispo ameaçado de morte no Pará pede segurança para andar em liberdade

Arquivo Geral

07/05/2008 0h00

“Quero minha liberdade de ir e vir. Não cometi nenhum crime e quero minha liberdade de volta”. Esse foi apelo feito hoje (6) pelo bispo do município de Xingu (PA), cheapest dom Erwin Kräutler, buy more about durante reunião da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados. Dom Erwin é umas das 300 pessoas ameaçadas de morte no Pará por denunciar agressões a índios, tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia.


Segundo o bispo, quando uma pessoa “levanta a voz” em defesa dos índios, do meio ambiente, grandes interesses são contrariados e “parte-se para a irracionalidade e para o ódio”. “O ódio sempre quer eliminar o outro”, disse.


O bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona voltou a cobrar do governo medidas para proteger as pessoas ameaçadas. Para o religioso, há um esfacelamento do Estado na região. “Há um total esfacelamento das estruturas [do Estado]. Isso explica porque 300 pessoas estão ameaçadas de morte”, criticou.


De acordo com bispo José Luiz Azcona, em Marajó meninas e meninos estão se vendendo por dois quilos de carne e três quilos de óleo combustível. “Nenhuma dessas denúncias é nova e as autoridades não fazem nada. São omissas”, afirmou.


O procurador da República do Ministério Público na Região do Pará, Felício Pontes Junior, afirmou que os problemas no Pará são o “fim da linha” de um projeto de desenvolvimento do Amazonas que não levou em consideração a opinião dos povos da floresta. “Esses projetos acarretaram muito mais problemas do que soluções”, assinalou.


Nunca houve, ressaltou o procurador, falta de recursos para projetos sociais na região e sim má administração. “Sempre houve dinheiro entrando nessas áreas para projetos de desenvolvimento. O problema ocorria porque os projetos não eram de desenvolvimento pensando nos povos da floresta. Eram para quem tinha acesso aos recursos da Sudam, em sua maioria do Sul e Sudeste do Brasil, que se instalaram como madeireiros e fazendeiros”, criticou.


Uma alternativa apontada pelo procurador seria a implantação do que ele denominou de projeto desenvolvimento sócio-ambiental, em que os povos da floresta utilizam os recursos naturais sem destruir o meio ambiente.


A presidente da comissão, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), disse que vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação de uma força tarefa, composta por vários órgãos da União, para atuar imediatamente no Pará. “Precisamos combater o crime e a violação dos direitos humanos na Amazônia”, defendeu.


 

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