Enquanto nos Estados Unidos o nadador Michael Phelps e no Brasil a saltadora Maurren Maggi vão engordando as contas bancárias, os heróis olímpicos da Etiópia vão recebendo outros tipos de retribuição. Campeão dos 5.000m e 10.000m nos Jogos de Pequim, Kenenisa Bekele passou a ser nome de avenida na capital do país, Adis Abeba. Já a fundista Tirunesh Dibaba – igualmente campeã dos 5.000m e 10.000m, além de bicampeã mundial das duas distâncias, recordista mundial dos 5.000m e tricampeã mundial cross country em longa distância -, foi promovida ao cargo de superintendente-chefe da Polícia Prisional, corporação da qual faz parte e pela qual atua em competições oficiais.
Com apenas 23 anos, seis de atletismo, Dibaba conseguiu na carreira militar mais honrarias, que o recordista mundial de maratonas Haile Gebrselassie e Derartu Tulu em duas décadas como atleta. Na Etiópia, é comum que os atletas membros das forças de segurança sejam promovidos também por seus feitos esportivos.
Dibaba, que pretende se casar até o final do ano com o noivo Sileshi Sihine, também atleta, não foi a única promovida durante a cerimônia realizada na noite de quinta-feira. Sihine e vários outros atletas que chegaram ao pódio olímpico ou no Campeonato Africano foram igualmente promovidos.
Se Bekele virou avenida, Dibaba teve o nome escolhido para uma unidade hospitalar que está sendo construída em parceria pelos governos etíope e chinês. Mas homenagens não foram tudo o que a dupla recebeu.
O primeiro-ministro Meles Zenawi entregou um Corolla 2000, avaliado em US$ 40 mil, para cada um deles há duas semanas. Bekele também recebeu US$ 10 mil do clube de atletismo Muger Cement.