A ideia de bacia-esponja surge como uma adaptação do conceito de cidade-esponja para enfrentar inundações e enchentes com soluções baseadas na natureza. A proposta, defendida por especialistas, é olhar para o processo hidrológico como um todo e tratar as bacias hidrográficas como unidade de planejamento, da cabeceira à foz.
Segundo a paisagista urbana Cecília Herzog, da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), as mudanças climáticas exigem adaptações que vão além das áreas urbanas. Para ela, a água segue os fluxos naturais da paisagem e não respeita fronteiras políticas, o que torna necessário considerar também as áreas periféricas que influenciam o comportamento dos rios.
A especialista em soluções baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro afirma que retardar o escoamento na própria estrutura do rio pode ser mais eficaz do que pensar apenas nos efeitos das chuvas sobre as cidades. Ela explica que, muitas vezes, a água que causa transtornos urbanos foi acumulada ao longo da bacia hidrográfica e chega pelas redes fluviais.
Na prática, as intervenções destacadas pelas especialistas incluem proteger as nascentes nas partes mais altas das bacias e recuperar as florestas nas margens dos rios, preservando a conectividade natural da vegetação por meio dos fluxos de água. Juliana também ressalta que a atuação nas bacias não dispensa medidas nas cidades, como parques urbanos, jardins de chuva e praças úmidas, capazes de reter a água e devolvê-la aos poucos ao fluxo natural.
Cecília Herzog afirma ainda que a gestão integrada das bacias hidrográficas já apresenta resultados bem-sucedidos em vários países, mas que as soluções precisam ser adaptadas a cada lugar, levando em conta os fatores naturais de cada região e o conhecimento local.
Com informações da Agência Brasil