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Brasil

Auxiliar de enfermagem confessa ter aplicado vaselina

Arquivo Geral

09/12/2010 10h20

A auxiliar de enfermagem Kátia Araghaki, de 26 anos, admitiu ontem à polícia que foi ela quem aplicou vaselina líquida, em vez de soro fisiológico, na veia de Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, que morreu no sábado no Hospital São Luiz Gonzaga, em São Paulo.

Em sua defesa, afirmou que foi induzida ao erro, não somente porque os frascos eram iguais, mas também porque não é comum haver vaselina líquida naquele setor do hospital. Ela foi indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar). Além disso, afirmou que na noite de sexta-feira, anterior ao dia em que atendeu Stephanie, teria visto uma criança com queimaduras sendo socorrida naquele local, que pode ter sido tratada com vaselina.

Kátia chegou ao 73.º Distrito Policial, no Jaçanã, zona norte, por volta das 14h30. Passou pelos jornalistas que a aguardavam na frente do DP de mãos dadas com seus dois advogados. Durante o depoimento, ela desmaiou e interrompeu sua fala duas vezes, após crises nervosas.

Um de seus advogados, Roberto Gama, relatou que, segundo Kátia, os frascos de soro e vaselina estavam guardados juntos, no mesmo armário. “Ela aplicou a substância numa total inconsciência. O recipiente não dispunha de elemento esclarecedor e até a diagramação da etiqueta era imperceptível.” Para Gama, era “impossível” perceber alguma diferença, até porque Kátia disse que não havia vaselina ali. “Por isso qualquer pessoa enfiaria a mão e pegaria, sabendo que ali só tinha soro.”

Erro

Para o delegado assistente do 73.º DP, Antonio Corsi, o maior erro de Kátia foi não ter lido o frasco. “Ela disse que leu em um pote ‘hidratação’ e no outro passou a vista.” A auxiliar de enfermagem, que trabalha no hospital há 14 meses, vai responder em liberdade. Se condenada, poderá pegar de um a três anos de prisão.

Além dela, outros três funcionários foram ouvidos ontem: dois médicos e um enfermeiro. Até amanhã, serão outros 12. A Santa Casa vai trocar os rótulos de soro por etiquetas coloridas para facilitar a identificação no dia 13. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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    Arquivo Geral

    08/12/2010 19h56

    A auxiliar de enfermagem confessou ter aplicado vaselina no lugar de soro na menina Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, no Hospital São Luiz Gonzaga, na zona norte de São Paulo. Ela prestou depoimento, por cerca de três horas, na tarde de hoje no 73º Distrito Policial, no Jaçanã. A mulher de 26 anos, cujo nome está sendo mantido em sigilo, estava acompanhada por dois advogados e não falou com os jornalistas.

    Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a auxiliar de enfermagem afirmou que pegou o frasco com vaselina em um armário em que normalmente eram armazenados apenas os frascos de soro e que por isso ela não leu o rótulo.

    O delegado-assistente Antônio Carlos Corsi Sobrinho irá questionar o hospital sobre o armazenamento das medicações. Ele também vai esperar a conclusão dos laudos e o resultado da perícia nos frascos, realizado pelo Instituto de Criminalística (IC), para concluir o inquérito.

    A assessoria da SSP não confirmou se a auxiliar de enfermagem já foi indiciada por homicídio culposo – quando não há intenção de matar. Antes do depoimento, Corsi Sobrinho havia afirmado que ela poderia ser indiciada ainda hoje. A pena prevista para esse crime é de um a três anos de detenção.

    Além da auxiliar de enfermagem, prestaram depoimento dois médicos e o chefe de enfermagem que trabalhavam no plantão da sexta-feira, com a auxiliar de enfermagem. Corsi Sobrinho afirmou que a suspeita de ter cometido o engano trabalha no hospital há dois anos.

    A auxiliar de enfermagem é a mesma mulher indicada, por meio de foto, pela mãe da menina. No fim de semana, Stephanie chegou ao Hospital São Luiz Gonzaga com sintomas de virose e morreu depois de receber vaselina líquida, em vez de soro, na veia. Ela chegou a ser transferida para a Santa Casa, no centro, mas não resistiu.

    Depois da troca dos medicamentos, o superintendente da Santa Casa, que administra o Hospital São Luiz Gonzaga, disse que a entidade pretende usar rótulos ou até vidros diferentes para guardar vaselina e soro. A medida deve ser tomada para que o erro não volte a acontecer.

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