O aquecimento global provocaria em 2080 um sério revés na agricultura mundial, sale cuja produção poderia registrar grandes perdas em alguns países em vias de desenvolvimento, afirma o economista William Cline em seu recente livro sobre o tema, publicado hoje.
Índia, Paquistão, grande parte da África e a maioria da América Latina seriam as regiões que mais sofreriam esta hipotética conjuntura, sustenta Cline em seu livro “Aquecimento global e agricultura: impactos estimados por país”.
Por outro lado, os Estados Unidos, a maior parte da Europa, Rússia e Canadá veriam um aumento em suas respectivas produções agrícolas se a mudança climática mantivesse seu curso atual, de acordo com o autor.
“Rússia, Canadá… têm moedas muito fortes porque exportam energia e têm capacidade agrícola auto-suficiente. Por isso não lhes interessa produzir alimento para estes países”, disse Cline em alusão a uma hipotética ajuda econômica dos países desenvolvidos aos mais pobres.
“O que está claro é que não estamos no caminho certo para reduzir as emissões de dióxido de carbono. O panorama atual, com sete bilhões de toneladas acumuladas a cada ano, indica que as emissões seguem aumentando”, comentou o autor.
“A União Européia impôs seus limites, mas é necessário que os Estados Unidos demonstrem uma maior sensibilidade a respeito e assuma responsabilidades no assunto para conquistar medidas universais”, acrescentou.
Cline, ex-funcionário de alto escalão do Departamento do Tesouro dos EUA, estima que a produção agrícola mundial cairá de 3% a 16% com relação à atual até 2080.