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Brasil

Apec não considera crise como terminada

Arquivo Geral

11/11/2009 0h00

Os ministros das 21 economias do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) advertiram hoje que a crise não chegou a seu fim, pois o crescimento atual é mais uma subida conjuntural que um passo definitivo para a recuperação.

“O consenso é de que (a crise) de nenhuma maneira terminou e a situação ainda é frágil” apesar de alguns sintomas de melhora, disse o representante de Cingapura, George Yeo, após sair da reunião de ministros de Comércio e de Assuntos Exteriores do Apec.

Yeo explicou que os ministros também discutiram sobre o risco do protecionismo, uma ameaça “muito perigosa” que deve ser combatida antes que seja demais tarde.

Sua postura foi apoiada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que assegurou que “devemos estar orgulhosos de que a crise não nos tenha levado” a endurecer as tarifas.

“Agora é mais importante que nunca uma política comercial que inclua todos”, disse a chefe da diplomacia americana.

O Apec considera que a melhor forma de lutar contra o protecionismo é respaldar as negociações para liberalizar o comércio mundial na chamada Rodada de Doha, que pretende estender o desenvolvimento econômico aos países menos desenvolvidos através da eliminação dos impedimentos às trocas de bens e serviços.

As negociações, segundo os ministros do bloco regional, fracassarão antes da data limite de 2010 se as partes envolvidas não exercerem uma “flexibilidade máxima” em suas posturas.

O livre-comércio e a integração econômica são os dois grandes objetivos do Apec desde sua fundação, em 1989.

Por outra parte, na reunião ministerial também foi concluído que para superar a crise é preciso colocar em vigor em alguns países os programas de estímulo iniciados no começo do ano para reativar a economia, que já deram seus frutos nos Estados Unidos.

Os ministros de Comércio e de Assuntos Exteriores prepararam hoje o terreno para que amanhã os titulares das Finanças busquem um consenso que evite cortar novamente o gasto público, em um momento em que os mercados de creditícios começam a ver uma luz no final do túnel, segundo a minuta da agenda.

Desta maneira, alguns das iniciativas implementadas pelos Governos da região Ásia-Pacífico para reativar suas economias serão prorrogadas e outras retiradas, em função do grau de recuperação e perspectivas de crescimento de cada país.

A integração econômica e a resposta à crise dominaram a agenda do encontro do Apec, enquanto o aquecimento global não foi um dos assuntos principais discutidos, a poucas semanas da realização em Copenhague da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

O fórum apenas chegou ao acordo de promover a retirada eventual e no médio prazo dos subsídios à produção de combustíveis fósseis e de publicar seus dados nacionais de produção e consumo a partir de 2010, para garantir a transparência e a estabilidade do mercado energético internacional.

Hillary foi além e disse que os EUA apostam por uma mistura de “princípios e pragmatismo” para alcançar um consenso global prévio ao grande acordo que substituirá o Protocolo de Kioto depois de sua expiração, dentro de três anos.

“Não deixemos que a perfeição se intrometa no caminho do progresso”, afirmou a secretária de Estado.

O Apec é formado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, EUA, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

Suas 21 economias representam 40% da população mundial, mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do mundo e 44% do comércio.

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