MATEUS VARGAS
FOLHAPRESS
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) retirou da pauta desta terça-feira (13) o julgamento sobre o recolhimento de parte dos produtos de limpeza da Ypê. A votação para avaliar se derruba a suspensão ou mantém as medidas, deve ser feita nesta sexta-feira (15).
No último dia 7, a agência reguladora determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo, no interior de São Paulo. A agência suspendeu a produção dos produtos sob argumento de que havia falhas no controle de qualidade.
Na prática, as ações já foram suspensas automaticamente por um recurso da Ypê, mas a própria empresa paralisou a produção para fazer ajustes na fábrica em Amparo. A agência também manteve o entendimento de que os produtos não devem ser utilizados.
Em reunião na feita na sede da Anvisa na terça-feira (12), representantes da Ypê informaram que 239 medidas estavam em andamento para tentar reverter a determinação de recolhimento e suspensão de fabricação de parte dos seus produtos de limpeza.
A empresa informou que as equipes da fábrica de Amparo (SP) “intensificaram o trabalho para atender a 239 ações corretivas, com o objetivo de cumprir as exigências da vigilância sanitária”, segundo nota divulgada pela Anvisa.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma foto com detergente da marca no sábado (9), enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), defendeu a marca.
Na segunda-feira (12), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que vídeos “irresponsáveis” tentam transformar a suspensão de lotes de produtos de limpeza da Ypê em disputa política. Ainda afirmou que as medidas contra a empresa envolveram análises do setor de vigilância do estado de São Paulo, que é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro, além da área comandada na Anvisa por Daniel Meirelles, que foi indicado ao cargo pelo ex-presidente
A Química Amparo, dona da Ypê, afirma ter mudado o sistema de tratamento de água, principal ingrediente usado na fabricação de seus produtos líquidos, após uma fiscalização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em novembro de 2025, ter encontrado contaminação bacteriana em lotes da empresa.
Na ocasião, a agência determinou o recolhimento de 14 lotes de produtos após detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em três tipos de lava roupas líquidos. A fabricante voltou a ser alvo de sanções na última semana pela reincidência nas falhas no controle de qualidade.