A vacina tailandesa contra a aids é uma boa notícia, mas ainda não é suficiente e será preciso esperar mais um ou dois anos para saber a abrangência do estudo apresentado em Bangcoc, assinalaram hoje especialistas contra o HIV na abertura da conferência internacional “Vaccine Aids 2009”.
No entanto, é o “primeiro teste em 26 anos de pesquisa que oferece mostras de prevenção”, ressaltou o professor Alan Bernstein, diretor-executivo do Global HIV Vaccine Enterprise, aliança de organizações independentes empenhados em acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da aids.
No mês passado, cientistas americanos e tailandeses apresentaram em Bangcoc dados sobre uma vacina que indicaram seria capaz de prevenir a infecção em 31,2% dos casos. Uma segunda análise, porém, rebaixou a eficácia do ensaio para 26%, ou seja, abaixo do índice considerado significativo.
Na véspera dos responsáveis apresentarem os resultados definitivos em Paris, o conjunto da comunidade científica que luta por uma vacina reiterou que “hoje mais que nunca têm certeza que será desenvolvida uma vacina”, afirmou Bernstein.
Segundo Bernstein, os resultados obtidos até agora na Tailândia e o debate que a descoberta gerará entre a comunidade científica contribuem positivamente para se encontrar um resultado dentro de um ou dois anos.
Os pesquisadores concordam em que nos cerca de 30 anos de luta contra a doença, que mata 2,5 milhões de pessoas por ano, aprenderam que nenhum cientista ou pais vai encontrar sozinho a vacina.
Os resultados do estudo tailandês são promissores e os analistas não querem que desperdício de esforços.
Para Bernstein é irônico e infeliz o fato de que quando se está conseguindo resultados tangíveis, se esteja cortando investimentos, já que não vê melhor investimento em saúde no terceiro mundo que a luta contra a aids, um vírus que contagia 7,4 mil pessoas por dia, como lembrou Michel Sidibé, diretor agência das Nações Unidas dedicada ao combate do HIV (Unaids).
Sidibé vai mais longe e assegura que, os governantes devem regular os mercados, mas reforça que têm a obrigação moral de investir em programas sociais.
De fato, o investimento em uma doença que castiga principalmente os povos da África, o continente mais pobre da Terra, é um dos temas que mais preocupa os analistas que insistem em que Governos, organizações internacionais e indústria devem ver que a investigação da vacina oferece oportunidades que poderão beneficiar a todos.
“Estamos conseguindo resultados reais. Não é momento de reduzir os esforços”, insistiu o professor Peter Piot, diretor do instituto de saúde global do Colégio Imperial de Londres.
Aos temores de Piot, somam-se os de Michel D. Kazatchkine, diretor Fundo Global de Luta contra a Aids, à Tuberculose e à Malária. Este último adverte que a organização à qual representa “não poderá responder aos pedidos recebidos para 2010”.
O próximo ano será chave para a saúde global, na luta contra a aids e na definição de como será o mundo em 2015, ressalta Kazatchkine, indicando que organizações internacionais e nações devem fazer um esforço.
Estamos em um momento no qual “a investigação está se movimentando mais rápido que nos últimos 26 anos, assinala Berstein, embora ainda exista um longo caminho a seguir”.
Esse percurso não passa só pelo desenvolvimento de uma vacina como única panacéia contra o vírus, mas em integrá-lo dentro de uma estratégia global de prevenção contra a doença, que não deve evitar outros caminhos para o combate contra o vírus, como os fármacos anti-retrovirais ou o simples uso do preservativo, insiste Piot.