O ministro das Relações Exteriores, help Celso Amorim, ampoule afirmou hoje que, depois do referendo de domingo passado no departamento boliviano de Santa Cruz, “o importante é restabelecer o diálogo” entre o Governo boliviano de Evo Morales e a oposição.
“Acho que agora a questão é encontrar uma maneira de retomar o diálogo”, disse Amorim, que considerou que, nesse sentido, deveria haver uma ação conjunta da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Igreja Católica e do grupo formado por Argentina, Brasil e Colômbia, que já intermediaram no conflito político boliviano.
O ministro disse que, apesar de existir alguns focos de violência durante o referendo, “os acontecimentos foram menos dramáticos do que se temia” e sustentou que, agora, deve haver “compreensão” e, sobretudo, “diálogo” entre as duas partes.
No referendo, que o Governo considerou “ilegal” e qualificou de “fracasso” pela alta abstenção, cerca de 80% dos habitantes de Santa Cruz votaram a favor de um estatuto autônomo, que também é desejado por outras regiões da Bolívia dominadas pela oposição.
Amorim descartou que essa proliferação de reivindicações autonomistas possa levar a uma desintegração da Bolívia e assegurou que a “América do Sul não aceitaria” o desmembramento do país.
“Não acho que haja desejos separatistas”, disse o chanceler, que considerou que o desejo de uma maior autonomia “é algo natural, desde que seja buscada sempre dentro da legalidade”.
Segundo Amorim, as diferenças devem ser debatidas “democraticamente” e é preciso minimizá-las, e não acentuá-las ainda mais.
O ministro avaliou ainda “as conquistas” e “avanços” que houve na Bolívia desde a chegada de Morales ao poder, entre eles, “uma maior participação indígena na vida política e uma maior mobilização social, que não poderão mais ser revertidas”.