Amigos, parentes e admiradores, principalmente artistas de todos os gêneros musicais e idades, prestaram hoje homenagens ao músico Paulo Moura, durante o velório que ocorreu no final da manhã no Teatro Carlos Gomes, centro do Rio de Janeiro. A viúva de Paulo Moura, a psicanalista Halina Grynberg, lembrou a homenagem feita por amigos ainda no hospital onde estava internado, no último sábado (10), quando nomes como Humberto Araújo, Marcelo Gonçalves e Wagner Tiso, entre outros, tocaram para o clarinetista.
“Ele me pediu a clarineta. Eu achei que ele estivesse brincando e ele improvisou Doce de Coco, com Wagner Tiso. Estava muito sereno”. Halina disse que, agora, está “tomando a tarefa de fazer com que essa pessoa excepcional seja um esteio da memória nacional”. E afirmou que “nada se perdeu”.
A cantora Alcione lamentou a perda do músico, que já era citado pelo pai dela, também instrumentista, quando jovem. Para a cantora, Paulo Moura deve continuar sendo referência para os novos nomes da cultura brasileira. “Ele deixa um legado muito grande de trabalhos incessantes pela música popular e erudita desse país”, lamentou a cantora.
Muito emocionada, uma ex-aluna de Paulo Moura classificou o músico como “uma pessoa sublime”. Para ela, “todos os momentos são especiais com uma pessoa que é generosa e percebe o caminhar do outro e se entrega na busca do outro como se fosse ele mesmo”. Paulo Moura morreu de câncer no fim da noite de segunda-feira (12), aos 77 anos. O clarinetista, que tocou ao lado de nomes como Elis Regina e Milton Nascimento, estava internado em uma clínica da zona sul da capital fluminense desde o dia 4 de julho.
Na terça-feira (13), o ministro da Cultura, Juca Ferreira, divulgou nota oficial lamentando o falecimento do músico, onde destacou Moura como “instrumentista e solista primoroso, além de compositor, arranjador e regente, conhecido e admirado no mundo todo”. Ainda na nota, o ministro lembrou que, em 2008, homenageou Paulo Moura com a Ordem do Mérito, a mais alta condecoração federal.