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Brasil

Amigo resgata homem soterrado em deslizamento em Juiz de Fora

Deivid Carlos da Silva sobreviveu preso nos escombros por uma hora e meia graças à ação de Luiz Otávio Souza, em meio às chuvas intensas na Zona da Mata mineira.

Redação Jornal de Brasília

25/02/2026 8h50

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Foto por PABLO PORCIUNCULA / AFP

O barulho foi seco e repentino durante as chuvas intensas que atingem a Zona da Mata mineira desde a segunda-feira (23). Em segundos, Deivid Carlos da Silva ficou soterrado nas ruínas de sua casa no Jardim Parque Burnier, zona sudeste de Juiz de Fora. Preso nos escombros, ele tinha certeza de que não sairia vivo.

“Vou morrer, vou morrer. Só pensava nisso”, lembra Deivid, que ficou sem se mover por uma hora e meia, já sem esperanças.

O desespero só foi interrompido quando ele percebeu alguém tentando alcançá-lo. “Meu amigo cavou com a mão, tirou uma pedra. Eu consegui ver um buraco, luz e respirar”, descreve.

O amigo é Luiz Otávio Souza, também morador da região, que passou a madrugada ajudando no resgate dos vizinhos, mesmo com chuva forte e risco de novos deslizamentos. “Estava tudo escuro. Só conseguia enxergar com lanterna. Chuva em cima, mas mantendo o trabalho, porque com vidas não se brinca”, afirma.

A mulher e o filho de Deivid também foram retirados dos escombros com a ajuda dos moradores do bairro.

Enquanto auxiliava no resgate, Luiz Otávio enfrentava angústia pessoal: acompanhava as buscas por dois familiares desaparecidos desde o deslizamento. “Meu sobrinho, de 21 anos, e a mãe dele, de 41. Ele chegou do serviço, deixou a mochila em casa e foi vê-la. Aí veio o desabamento”, conta.

Mesmo sem dormir e sem comer direito, Luiz Otávio mantinha o ritmo nos escombros. “Enquanto não achar todo mundo, não vou parar. Todo mundo aqui é família, amigo. Não tem como deixar ninguém para trás. É uma dor para todos”, acrescenta.

As chuvas provocaram uma sequência de deslizamentos, alagamentos e destruição em diferentes municípios da região. Segundo balanços preliminares, ao menos 30 mortes foram registradas em Juiz de Fora e Ubá.

O Rio Paraibuna transbordou, causando inundações e soterramentos. Bairros ficaram isolados, com mais de 40 chamadas emergenciais por inundações e risco estrutural. A Defesa Civil estima 440 pessoas desabrigadas, que já receberam acolhimento provisório. O governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade em Juiz de Fora.

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