O vice-presidente de segurança de vôo da Airbus, check Yannick Malinge, see negou nesta quinta-feira que o avião da TAM envolvido no acidente que causou a morte de 200 pessoas em São Paulo tivesse alguma falha nos sistemas de freio ou no computador de bordo.
Malinge prestou depoimento hoje na CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados, e disse que “os dados disponíveis até o momento mostram que o sistema de freios do avião funcionou normalmente”.
O Airbus A-320 da TAM pousou no aeroporto de Congonhas, mas não conseguiu reduzir a velocidade e atravessou a pista, cruzando a avenida Washington Luis, e batendo em um edifício da TAM Express, onde explodiu.
Malinge disse que as informações recolhidas até agora, contidas nas duas caixas-pretas recuperadas do desastre, indicam que todos os sistemas de freio, funcionaram normalmente. “Quando há um acidente não se pode descartar nenhuma das hipóteses”, disse o engenheiro francês, que foi designado pelo presidente da Airbus, Louis Gallois, para prestar depoimento à CPI.
Antes da sessão com Malinge, os deputados ouviram os quatro controladores que estavam na torre de Congonhas no momento da tragédia. O controlador Celso Domingos Alves, que autorizou a aterrissagem do avião, explicou que os pilotos não informaram sobre supostos problemas na aeronave, que estava com um reverso (que ajuda na frenagem do avião) travado.
Segundo o manual de operações do Airbus A-320, elaborado pela fabricante, o dispositivo não é determinante para parar a aeronave, que tem condições de operar com o defeito. Uma vez que o problema é detectado, deve ser reparado dentro de um prazo de dez dias.
No entanto o defeito no avião, as imperfeições da pista de Congonhas, cujo asfalto não tinha as ranhuras que ajudam a drenar a água e a frear os aviões, e uma possível falha humana são considerados até agora as prováveis causas do acidente.
Os depoimentos dos controladores despertaram dúvidas sobre o estado da pista. “A suspeita de que as condições da pista tenham causado o acidente está diminuindo”, disse o deputado Marco Maia (PT-RS) depois da sessão em que os controladores foram ouvidos.
O parlamentar explicou que, de acordo com os controladores, no mesmo dia dezenas de aviões pousaram sob as mesmas condições, e não houve nenhum incidente. Apesar disso, Maia esclareceu que ainda não se pode descartar nada, e que todas as linhas de investigação permanecem abertas.