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Brasil

Agosto foi o mês mais quente da história, aponta Copernicus

O novo boletim da organização cita ainda que as temperaturas oceânicas atingiram níveis sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo

Redação Jornal de Brasília

10/09/2026 6h32

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Agosto foi o mês mais quente já registrado na Terra nos últimos 100 mil anos, informou nesta quinta-feira, 10, o observatório climático europeu Copernicus. O novo boletim da organização cita ainda que as temperaturas oceânicas atingiram níveis sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo.

Segundo o Copernicus, no último mês, as temperaturas médias do ar atingiram 16,96°C, superando o recorde mensal anterior, estabelecido em julho de 2023, por 0,01°C.

As séries históricas do observatório remontam aos anos 1940, mas evidências como núcleos de gelo, anéis de árvores e esqueletos de corais permitem que os cientistas estudem o clima em diferentes momentos da história.

“Os humanos provavelmente não viam temperaturas tão altas quanto essas há pelo menos 100 mil anos”, detalhou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que opera o Copernicus, à AFP.

Em resposta à avaliação do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a ONU alertou que o planeta continuará a trajetória rumo a níveis sem precedentes até que a humanidade abandone os combustíveis fósseis.

A atividade humana, particularmente a queima de carvão, petróleo e gás, aqueceu o planeta em cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial, aumentando a severidade e a probabilidade de eventos climáticos extremos, apontam os cientistas. Além disso, as emissões de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global, atingiram níveis históricos em 2025.

“As evidências são irrefutáveis: este é o preço crescente da dependência da humanidade em combustíveis fósseis e da crise climática global que ela está alimentando”, disse o chefe do clima da ONU, Simon Stiell, a sobre o novo relatório do observatório europeu.

Agosto também “marcou o fim do verão mais quente já registrado na Europa Ocidental”, superando o antigo recorde estabelecido em 2003, aponta o observatório. O período entre junho e agosto foi caracterizado por ondas de calor severas e consecutivas que levaram ao fechamento de escolas, ao ressecamento de rios e criaram as condições para incêndios florestais devastadores.

Pesquisadores da rede World Weather Attribution concluíram que a onda de calor particularmente intensa em junho teria sido “virtualmente impossível” sem a influência das mudanças climáticas.

A influência do El Niño

As temperaturas da superfície do mar também atingiram um recorde diário global e igualaram o calor recorde para o mês de agosto, estendendo uma sequência de três meses de temperaturas sem precedentes nos oceanos do mundo.

Mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases de efeito estufa foi absorvido pelos oceanos, com um custo severo para a vida marinha, recifes e comunidades costeiras.

As temperaturas de agosto bateram recordes nas regiões do Atlântico, do Mediterrâneo e do Pacífico tropical, onde o El Niño mais intenso da era moderna ganha cada vez mais força.

Os cientistas acreditam que recordes continuarão a ser quebrados nos próximos meses, à medida que este “super-El Niño” se aproxima do pico da intensidade por volta de dezembro, e que 2027, e talvez até 2026, se tornarão os anos mais quentes já registrados.

“As mudanças climáticas estão tornando cada evento El Niño mais quente e, enquanto não pararmos de queimar carvão, petróleo e gás, esses meses recordes simplesmente continuarão acontecendo”, explica a cientista climática do Imperial College London, Friederike Otto. /AFP

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