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Brasil

Agência rebaixou avaliação de risco do Digimais na véspera de operação da PF

São nove mandados de busca e apreensão que visam apurar crimes contra o sistema financeiro

Redação Jornal de Brasília

23/06/2026 10h37

banco digimais

Foto: Divulgação

JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A agência de classificação de risco Fitch piorou e retirou a avaliação sobre o banco Digimais na segunda-feira (22), véspera da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (23).

São nove mandados de busca e apreensão que visam apurar crimes contra o sistema financeiro. A diligência busca desarticular suspeitas de um esquema fraudulento na instituição do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV.

Em relatório divulgado na tarde de segunda, a Fitch Ratings informou que rebaixou a nota de risco (rating) nacional de longo prazo do Banco Digimais para CCC(bra) [risco considerável], de BB+(bra). A nota para dívidas de curto prazo do banco caiu para C(bra) [perto de calote], de B(bra) anteriormente.

Simultaneamente, a agência retirou todos os ratings do Digimais. Assim, a Fitch não fornecerá mais análises para a instituição financeira.

“O rebaixamento reflete a visão da Fitch de que a margem de segurança do banco é muito baixa, sendo a falha da instituição financeira e/ou o default [calote] uma possibilidade real, impulsionados por incertezas consideráveis em relação ao perfil financeiro do Digimais, bem como por restrições relevantes na avaliação da agência, decorrentes da ausência de informações atuais e da limitada visibilidade sobre a estratégia do banco”, disse a agência.

Dada a insuficiência de informações, a Fitch também retirou todos os ratings do Digimais. “Não será capaz de manter o monitoramento adequado das classificações, tendo em vista a ausência de informações financeiras suficientes, confiáveis e verificáveis.”

A agência também citou a disputa judicial do banco envolvendo um Fidc (fundo de investimento em direitos creditórios) como mais um ponto de atenção.

O processo envolve ativos originalmente gerados pelo Banco Master e o fundo EXP1, gerido pela Yards Capital, que alega que parte dos ativos vendidos a ela pelo Digimais não existe e o banco deveria devolver o valor pago correspondente.

No processo, o Digimais diz que os créditos existem, mas o repasse dos pagamentos desses empréstimos estaria paralisado dada a situação do Master, em liquidação extrajudicial e investigações.

O fundo rebate essa argumentação e afirma que o contrato atribuiu ao Digimais “obrigações diretas e intransferíveis, incluindo a garantia de lastro dos créditos, a entrega da documentação comprobatória, o repasse tempestivo de todos os valores recebidos e a vedação expressa de qualquer interferência no fluxo de pagamentos”, segundo comunicado.

A Fitch também mencionou que a venda do Digimais para o BTG Pactual, anunciada em abril, é incerta. “A conclusão permanece condicionada, entre outros fatores, ao lançamento e desenvolvimento de um processo competitivo, à declaração da proposta vencedora e às aprovações regulatórias necessárias, inclusive do Banco Central do Brasil e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).”

À época do anúncio, a Folha de S.Paulo apurou que a conclusão da transação dependia de uma série de tratativas, inclusive um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação.

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