Nenhum dos entes envolvidos nas buscas, medical guarda ou entrega dos pertences pessoais das vítimas do vôo 1907 da Gol nega as acusações de que objetos e documentos tenham se extraviado, page mas tanto o Comando da Aeronáutica quanto o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Gol Transportes Aéreos divulgaram que não têm responsabilidade pelo problema.
A Aeronáutica afirmou, em nota oficial, que entregou à Gol todo o material recolhido na floresta após o acidente, ocorrido em setembro de 2006. Segundo a Aeronáutica, os pertences de maior volume, como malas, foram transportados para Cachimbo (MT) e catalogados por militares e funcionários da Gol. O texto informa que cerca de 1,6 tonelada de bagagem, das mais de 4 toneladas embarcadas no vôo 1907, foi encontrada e entregue à companhia aérea, em Brasília, no fim da operação.
De acordo com a Aeronáutica, os objetos que ajudaram o Instituto Médico Legal (IML) a identificar os passageiros foram transportados com os corpos nos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), em câmara fechada, para Brasília, e aí encaminhados ao IML. “Mais tarde, o próprio IML encaminhou esse material aos familiares”, informa o texto.
A Aeronáutica destaca que a missão envolveu mais de 800 pessoas e que, confirmada a ausência de sobreviventes, a finalidade principal dos trabalhos era localizar as vítimas. O texto acrescenta que, já nos primeiros dias após o acidente os militares encontraram no local grupos de pessoas que não faziam parte da operação e imediatamente os conduziram para fora da área de busca. Além disso, após a queda do avião, os pertences teriam se espalhado por uma área de difícil acesso, que não era passível de isolamento completo.
Também em nota, a Gol informa que entre a data do acidente – 29 de setembro – e o transporte dos pertences para o Distrito Federal os objetos ficaram sob a responsabilidade da Aeronáutica. Só então, conforme informado, a empresa pediu ao MPDFT a apreensão formal dos bens para, em cumprimento às normas, providenciar a desinfecção e a higienização dos objetos.
Impossibilitada de identificar os legítimos proprietários e sem saber a quem entregar os pertences, e obrigada a devolvê-los no prazo de 15 dias, a empresa entregou-os ao MPDFT, que ficou responsável pelos procedimentos legais para devolução dos objetos.
Em nota divulgada hoje pelo MPDFT, o promotor Diaulas Costa Ribeiro afirma que as queixas dos parentes das vítimas não se referem à atuação do Ministério Público, mas sim à etapa de resgate dos corpos e de pertences, sob a responsabilidade da Aeronáutica.
O promotor explica que começou a coordenar as equipes do Instituto Médico Legal, do Instituto de Identificação e do Instituto de Criminalística em 28 de novembro, dois meses após o acidente. E afirma que, além de os peritos não terem entrado na mata, desde o momento em que receberam os corpos, na Fazenda Jarina, tudo foi registrado e fotografado.
Ribeiro confirma que todos os objetos foram catalogados durante o processo de higienização e diz que foi justamente a divulgação das imagens das centenas de pertences pela internet que permitiram que os familiares os identificassem. Segundo a nota, as pessoas que reconheceram itens como sendo de seus familiares e os requisitaram via e-mail receberam tudo pelo correio.