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Restaurante é denunciado por racismo; internautas relatam vários casos

Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para investigar o caso

Redação Jornal de Brasília

18/02/2020 12h51

A professora de tambor de crioula Carla Coreira registrou um Boletim de Ocorrência por racismo contra o restaurante Flor de Vinagreira, localizado em São Luís-MA. O caso ocorreu após a vítima entrar no local para cumprimentar amigos.

“Eu estava conversando com um amigo na calçada. De repente, ele [segurança] olhou para mim, falou com meu amigo e perguntou: ‘Dr, ela está atrapalhando em alguma coisa? Eu não tive como responder nada porque fiquei travada. Como assim? E resolvi denunciar”, disse Carla, ao portal G1.

Entre os amigos de Carla, estavam na mesa o secretário de Estado do Trabalho e Economia Solidária, Jowberth Alves, e a professora Dulce Ferreira. Ambos confirmaram que houve racismo. Segundo o secretário, mesmo após ele confirmar que Carla era sua amiga, o segurança continuou a fazer indagações preconceituosas.

Após repercussão, vários internautas relataram casos similares. Em um dos posts, um rapaz relata que foi discriminado pelo segurança no mesmo restaurante por causa da sua cor e das roupas que usava.

Em outro post, uma mulher disse que um dos garçons do restaurante teria discriminado um dos amigos dela. Em um vídeo, a universitária Thayane Reis conta outro caso de racismo, em que foi impedida de usar o banheiro porque seria apenas para clientes, mesmo ela sendo uma cliente do estabelecimento. 

“Chegando no caminho do banheiro, um dos funcionários barrou a gente, disse que não podíamos entrar, que só poderia entrar clientes que estavam consumindo no restaurante. Nós falamos que estávamos consumindo , que estávamos numa mesa, apontamos para ele. Ele não quis deixar a gente entrar. Depois de muita insistência e constrangimento, ele deixou a gente passar. Chegando no banheiro, tinha um funcionário vigiando a gente. Totalmente constrangedor”, disse ela.

Medidas

Após as denúncias, a Comissão da Verdade da Escravidão Negra no Brasil da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para investigar o caso, além de enviar um relatório ao Ministério Público e para a Defensoria Pública.

“Ela [Carla] foi vítima da possibilidade do ‘Apartheid’, que o local não poderia ser adentrado por ela em relação de sua raça. Então a gente tem que combater, procurar uma reparação para esse fato, fazer palestras antiracistas para que a gente possa reverter essa situação de ser ‘normalizado’ o racismo em nossa sociedade”, disse o presidente da comissão, Erik Moraes.

Ademais, um grupo realizou uma manifestação durante a passagem de um bloco de carnaval em frente ao restaurante, como forma de protesto.

Defesa

O dono do restaurante, Francisco Neto, se pronunciou e negou todas as acusações. Através de um vídeo, ele afirmou que as atividades do restaurante são pautadas em padrões éticos.

“Tomamos conhecimento de uma ocorrência de racismo aqui em nosso restaurante. Estou vindo ao público esclarecer que não praticamos racismo e nem injúria racial. Nossas atividades são pautadas em padrões morais e éticos cada vez mais elevados, respeitando a todos e a todas”, disse o dono do restaurante.

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