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Prefeitura em Pernambuco diz que afastou estudantes suspeitos de estupro coletivo

Cinco estudantes são investigados por violência contra duas adolescentes de 14 anos no litoral de Pernambuco

Redação Jornal de Brasília

10/08/2026 17h48

Foto: Reprodução

CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS


A Prefeitura de Cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, confirmou nesta segunda-feira (10) que os estudantes suspeitos de estuprar duas alunas de 14 anos da mesma turma foram afastados da escola por tempo indeterminado. A decisão foi da Secretaria Municipal de Educação.

Segundo a prefeitura, atendendo a um pedido das famílias das vítimas, as duas estudantes também foram transferidas de escola. Elas ainda não retornaram às aulas.

A Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso, que está sob sigilo.

Segundo a advogada que representa as vítimas, Luanny Porto, as adolescentes foram violentadas em datas distintas por cinco estudantes da mesma turma do colégio, com idades entre 14 e 16 anos.

Uma das vítimas sofreu a agressão no dia 3 de agosto. A outra adolescente foi violentada há mais de um mês, segundo Luanny, mas só fez a denúncia após saber que a colega de sala também tinha sido vítima.

Nos dois casos, relata a advogada, o estupro aconteceu dentro de sala de aula, durante o intervalo, quando os estudantes saem das salas para receber a merenda. Os agressores ainda teriam dito a elas que não contassem para ninguém, ameaçando matá-las se não mantivessem silêncio.

“No dia 3, segunda-feira, por volta do meio-dia, esta adolescente pegou o lanche que leva de casa e foi para a sala de aula, comer lá. Aí foi surpreendida pelo grupo com uma rasteira que a derrubou no chão. Um adolescente segurou a porta e outros quatro a agrediram, cometendo violência sexual”, relatou Luanny, em entrevista à Folha de S.Paulo no sábado (8).

“Ela procurou a direção da escola, que disse a ela que eles iriam resolver. A direção não a dispensou, não chamou os pais, ninguém”, afirmou Luanny.

Segundo a advogada, a adolescente foi para casa e não relatou a agressão a familiares em um primeiro momento. Ela só conseguiu contar à mãe dela no dia seguinte. “Quando elas [mãe e filha] chegaram na direção [terça-feira, 4], outra barbaridade: a diretora olhou para a menina e a repreendeu por ter contado à mãe, dizendo que havia avisado que cuidaria disso”, disse Luanny.

A partir daí, a mãe procurou um vereador da cidade, que contratou os serviços jurídicos da advogada para acompanhar a situação.

Nesta segunda, questionada pela Folha de S.Paulo sobre a atitude da direção, a Secretaria de Educação informou que “tomou conhecimento sobre os relatos atribuídos à direção por meio da imprensa”. Acrescentou que isso “está sendo apurado” pela pasta.

A reportagem também ligou para a escola nesta segunda, solicitando contato com a direção, mas a atendente informou que ninguém falaria sobre o caso, devido ao sigilo da investigação.

A defesa registrou boletim de ocorrência dos dois casos, e as vítimas já tiveram escuta especializada e passaram por exames sexológicos no IML (Instituto Médico Legal).

A Polícia Civil afirmou, por meio de nota, que “o caso segue sob sigilo por envolver menores de idade e mais informações não podem ser divulgadas para preservar as vítimas”.

A prefeitura afirma em nota que “estão sendo adotadas as providências administrativas cabíveis relacionadas à unidade escolar”.

“A apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos envolvidos competem às instâncias e autoridades responsáveis, com respeito ao devido processo legal e aos direitos de todas as partes”, continua a nota.

A administração também diz que “reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes e com o enfrentamento de todas as formas de violência”.

“A prefeitura continuará acompanhando o caso, preservando o sigilo necessário e colaborando com as autoridades competentes”, acrescenta.

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