SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A Polícia Civil procura um homem suspeito de feminicídio contra a estudante de história Bianca da Silva Ribeiro, assassinada aos 26 anos após se hospedar com o namorado em um apartamento alugado por temporada na rua do Ouvidor, centro do Rio de Janeiro.
Imagens de câmeras de segurança do local mostram que o casal chegou ao prédio após participar de um evento na Pedra do Sal, também na região central. Algumas horas depois, o homem saiu sozinho, em seguida voltou e saiu novamente carregando a jovem no colo, aparentemente desacordada.
O registro do desaparecimento de Bianca foi feito por familiares no dia 6 de julho. Indagado, o suspeito teria dito a amigos que não sabia informar o endereço da hospedagem por aplicativo. Ele alegou que a reserva havia sido feita pela vítima.
A polícia afirma que conseguiu reconstruir a dinâmica do crime, por meio do cruzamento de informações e análise de imagens do monitoramento de segurança.
As provas levaram ao pedido de prisão temporária do homem, decretada pela Justiça. Ele é considerado foragido.
A suspeita é que o investigado tenha colocado a vítima em seu carro e a levado até uma área rural em Vassouras, onde Bianca foi parcialmente enterrada. O corpo foi encontrado na sexta-feira (10).
De acordo com as investigações, na manhã seguinte ao desaparecimento o namorado esteve em Miguel Pereira, cidade natal dele e da vítima, e pediu uma pá e uma enxada emprestadas ao funcionário de uma fazenda, alegando que realizava uma obra.
O trabalhador desconfiou da atitude após ver a divulgação sobre o desaparecimento da jovem e informou aos policiais sobre a direção que o suspeito havia seguido.
O namorado de Bianca chegou a enviar a uma testemunha uma foto da jovem e disse estar desesperado em busca de seu paradeiro, o que para os policiais foi uma tentativa de despistar o crime.
A mãe da vítima, Edna Varela da Silva, disse à TV Rio Sul que a filha combatia o feminicídio e tinha pavor desse tipo de crime. “E ela foi justamente vítima disso, do feminicídio”, afirmou.
Bianca sonhava em concluir o curso de história e trabalhar na área profissional escolhida.
O Brasil registrou alta de 7,5% no número de vítimas de feminicídios no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Foram 399 vítimas entre janeiro e março de 2026, ante 371 no mesmo intervalo do ano passado.
É o maior número para um primeiro trimestre em toda a série histórica dos últimos 11 anos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os números representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou envolvendo desprezo ou discriminação à condição feminina.