A Polícia Civil da Bahia (PCBA) investiga a morte de um homem de 85 anos e a disputa judicial entre os filhos originada com o óbito. Grimaldo Souza Santos chegou a lavrar boletim de ocorrência contra Grimaldo Jr. e Agildo Santos em 2025, quando denunciou que os filhos chegaram a ameaçar os pais em função da venda de um terreno, que, de acordo com o relato, era objeto de desejo na herança do casal – que ainda estava vivo. O dinheiro da venda, de acordo com o que foi comunicado pelo patriarca, seria usado para custear o tratamento de um câncer, mas a disputa fica em torno da autoridade para tomar a decisão da venda.
Em outubro do ano passado, Grimaldo Jr. se exasperou com o pai pela decisão de alienar um lote pelo qual a família recebia aluguel. Naquele mês, inclusive, Agildo, seu irmão, chegou a receber a parcela sem autorização dos pais. Após uma confusão em que até ameaças de morte teriam sido proferidas – no relato, é dito que Grimaldo já se dirigiu à mãe, Edvônia Santos, para dizer que ia “enchê-la de porrada e deixar na estrada” -, a celeuma em torno da venda do imóvel chegou até Mônica dos Santos, também filha de Grimaldo e Edvônia, acusada pela dupla de “fazer a cabeça” dos pais.
Em outro episódio de suposta violência familiar, ocorrido em março de 2025, Grimaldo saiu de Elísio Medrado, no interior da Bahia, para Salvador apenas para deixar os pais na festa de quinze anos da sobrinha. Após a carona, mesmo sem ser convidado, teria ficado no evento, onde se comportou mal. De acordo com o relato de Mônica, ele colocou uma seleção de músicas inapropriadas para a comemoração e chegou a pedir que um outro sobrinho, de apenas dez anos, buscasse bebida alcoólica.
Laços de família
Com a negativa, ainda de acordo com o depoimento prestado na 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Salvador, ele teria batido a cabeça da criança na mesa, além de desferir um soco na irmã. Uma medida protetiva foi concedida pelo Ministério Público (MPBA), o que impedia Grimaldo de chegar a menos de 200 metros da irmã, bem como procurá-la por ligações ou mensagens.
Quatro meses depois, foi a vez do irmão, Agilson José Vieira dos Santos, representar contra Grimaldo Júnior. De acordo com o que foi narrado à delegacia de Elísio Medrado, no primeiro domingo de junho de 2025 Agildo se reuniu com os pais e, juntos, iriam almoçar numa fazenda da região. Ele foi interpelado por Grimaldo Júnior, que começou a provocar o irmão. Quando rebatido, ele teria partido para agressões físicas e acertado um soco no nariz e diversos pontapés em Agildo.
O Jornal de Brasília tentou contato com os envolvidos. Grimaldo apenas relatou:
“Não existe nada disso, é perseguição” e acusou a irmã, Mônica, de empreender uma espécie de campanha de difamação contra ele. Ele se recusou a responder mais perguntas e indicou que a reportagem falasse com a advogada responsável por sua defesa, mas não compartilhou o contato e não é possível identificá-la nos processos aos quais o JBr. teve acesso.
Agildo, por sua vez, falou bastante. “A gente está numa batalha judicial, porque minha irmã é uma pessoa manipuladora, vendeu o imóvel sem autorização da gente”, disparou. “Tudo é coisa que ela colocou na cabeça do meu pai. Tudo que ela falava, ele acreditava. Ele tinha um bom plano de saúde, que pagava tudo”, acusou Agildo. Ele mencionou, ainda, que teria diversos materiais de mídia que exporiam uma relação abusiva da irmã para com os pais, mas não encaminhou os arquivos até a publicação desta reportagem.
Ainda de acordo com Agildo, o hospital em que o pai fazia tratamento contra o câncer era totalmente coberto pelo seguro de saúde. Também negou tentativas de agressão ou intimidação contra os genitores. “A gente nunca ameaçou nossos pais, não. Nunca fui nem em delegacia”, mas, quando lembrando que registrou boletim de ocorrência contra o irmão, aquiesceu. “É verdade, teve isso mesmo. Mas foi na hora da raiva, isso passa”, contemporizou.
O Jornal de Brasília tentou contato, mas não conseguiu localizar a irmã mencionada por Grimaldo e Agilson.