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Hospital no Catar oferece atendimento de primeira classe exclusivo para falcões

Hoje, as aves mais procuradas podem ser vendidas por alguns milhares de dólares. As melhores, no entanto, valem alguns milhões para seus proprietários

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Assim que a clínica abre as portas, os pacientes e seus responsáveis começam a entrar. Essa dúzia de falcões? Eles estão no lugar certo. O Souq Waqif Falcon Hospital é um centro de saúde dedicado inteiramente ao tratamento de um dos integrantes da família das aves de rapina. Escondido em um canto da praça principal da parte histórica da cidade de Doha, é uma instalação médica como poucas outras.

Atrás de suas paredes e das portas de vidro brilhante está a sala de espera com sofás e poleiros cromados, e um funcionário que coleta excrementos de ave do chão quando são necessários para fazer exames. Aqui, nenhuma despesa é poupada. No Catar, como em vários outros países do Golfo Pérsico, o falcão cumpre uma variedade de papéis, desde o de animal de estimação da família a símbolo de status, e até o de competidor de corrida. Mas os falcões também proporcionam um vínculo valioso com a antiga cultura beduína da região.

Hoje, as aves mais procuradas podem ser vendidas por alguns milhares de dólares. As melhores, no entanto, valem alguns milhões para seus proprietários – invariavelmente homens – que investem fortunas em um passatempo de séculos atrás no país mais rico do mundo. Mas, às vezes, essas aves se machucam ou ficam doentes.

Três médicos se reúnem em torno de um paciente. LEDs brilhantes acima de suas cabeças iluminam a mesa de operações. Uma máquina de raios-X está em um canto da sala, enquanto um dispositivo monitorando sinais vitais apita. O problema do paciente – um caso agudo de inclinação da cabeça – foi rapidamente identificado. A questão agora era descobrir a causa. Prasoon Ibrahim, 38 anos, trabalha no hospital há oito anos, mas continua surpreso com os recursos à sua disposição: exames de sangue e função renal; substituições de penas; endoscopias. “Temos tudo.”

Ibrahim é do sul da Índia e, assim como a maioria da equipe do hospital, tem doutorado em biologia molecular e trabalhou em um hospital para humanos antes de assumir seu cargo atual. E, como a maioria de seus colegas, disse nunca ter trabalhado em um lugar com a vasta oferta de tecnologia de ponta que agora tem à sua disposição. “No meu laboratório daqui, vi um sequenciador de genes pela primeira vez”, disse ele.

A instalação, subsidiada pelo governo do Catar, trata cerca de 150 falcões por dia. A maioria das aves vem para exames após serem compradas nas lojas que vendem falcões nas proximidades, ou para receber o que seria equivalente a um serviço de manicure, no qual bico e garras são afiados enquanto as aves estão sob anestesia geral.

Também há a possibilidade de implantar transmissores de rádio e dispositivos de GPS nos animais para que seus donos possam acompanhá-los quando os levam para caçar. O serviço mais importante, a cirurgia ortopédica para consertar ossos quebrados que, na natureza, significaria morte certa, ocorre em uma unidade de internação localizada em outro andar.

Na área de tratamento geral, um grupo de funcionários cercado por vários computadores analisa sob microscópios de alta potência amostras de sangue e fezes, além de amostras coletadas na garganta, em imagens exibidas em telas gigantes. Qualquer desvio da normalidade é sinalizado para receber a atenção de um punhado de médicos experientes.

Outro grupo de funcionários tenta substituir as penas perdidas da cauda de um falcão-real. “Para cada espécie, o padrão é diferente e, para cada plumagem, o padrão é diferente”, disse o técnico Abdul Nasser Parolil ao abrir um conjunto de gavetas, revelando uma ampla seleção de penas de diferentes comprimentos, cores e padrões.

Assim como acontece em muitas instituições no Catar, há uma hierarquia rigorosa na sala de espera. Embora exista um sistema de senhas numeradas, há maneiras de “furar a fila”: a realeza do Catar é tratada com prioridade; em seguida, os cidadãos nativos do Catar e, finalmente, os estrangeiros, que, geralmente, são funcionários de origem sul-asiática enviados em nome de seus patrões. Shagul Hameed, de 27 anos, que trabalha para um membro da família real al-Thani, disse que ficou surpreso com o carinho que alguns proprietários dão aos seus falcões.

“Cuidam de seus falcões tão bem quanto cuidam de seus filhos”, disse Hameed, antes de se corrigir. “Na verdade, se o filho estivesse doente, eles mandariam o motorista, a empregada ou a esposa levá-lo ao médico. Mas se o falcão estiver doente, o homem da casa vem com o animal.”


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