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Cirurgia retira 30 kg de tumores do corpo de jovem

Karina Rondini descobriu o problema aos 2 anos de idade, mas os sinais mais evidentes começaram a surgir aos 15

Foto: Theo Marques/UOL

No último dia 16 de novembro, uma mulher de 31 anos natural de Curitiba-PR passou por uma cirurgia para retirar 30 quilos de tumores de seu corpo. O problema foi causado por uma doença genética rara, a neurofibromatose tipo 1 (NF1).

Karina Rondini descobriu o problema aos 2 anos de idade, mas os sinais mais evidentes começaram a surgir aos 15. Os tumores foram crescendo nas pernas da adolescente, causando dor, coceira e constrangimento.

Já sem muitas esperanças de solução, em 2019, Karina participou de um documentário britânico, e os espectadores começaram a lhe recomendar um cirurgião. Trata-se do norte-americano McKay McKinnon, profissional com 37 anos de experiência e muitas retiradas de tumores causados pela NF1 no currículo.

Com o nome do cirurgião em mãos, Karina começou a tentar trazê-lo ao Brasil. Ela contou com a ajuda da irmã, que vive no Canadá e fala inglês, e entrou em contato. Em seguida, iniciou-se a saga para juntar R$ 200 mil para trazer McKinnon ao país para realizar a cirurgia. A maior parte do valor foi arrecadada por meio de uma vaquinha feita pelo do site Razões para Acreditar.

“Vendemos o carro, economizamos muito, tudo pensando nessa cirurgia. Sem o nosso automóvel, ficou difícil até para a Karina se deslocar. Inclusive, uma vez precisamos ir até São Paulo de ônibus com leito cama, por que os bancos comuns não eram grandes o suficiente para ela”, conta Fátima, mãe de Karina, ao portal UOL.

A cirurgia, então, foi marcada para 2020, mas atrasos adiaram o procedimento até a última terça-feira (16). A possibilidade de uma remoção tão extensa não era bem aceita por médicos brasileiros. Para McKinnon, há um certo pessimismo geral quando se trata de cirurgias de pacientes com neurofibromatose, mas a palavra “inoperável”, segundo ele, é somente um ponto de vista. “Essa palavra deve estar entre aspas porque em alguns casos eu não a aceito. E o de Karina foi um deles. É um caso perfeitamente possível de ser operado”, diz o médico, também ao UOL.

Para realizar as incisões foi usada uma pinça especial, capaz de coagular o sangue primeiro para depois cortar os vasos, diminuindo o risco de hemorragia. Por ser uma paciente que ficará bastante tempo na cama, além de passar por uma cirurgia de muitas horas, antes do procedimento foi colocado um filtro na veia cava, cujo objetivo é diminuir a capacidade do sangue em coagular, diminuindo assim o risco da paciente desenvolver trombos (“placas”) que pudessem causar embolia pulmonar.

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A cirurgia durou 11 horas. Foram removidos 30,4 kg de tumores de Karina, o que representa cerca de 80% dos tumores que ela tinha no corpo. O restante ainda será removido em outra cirurgia, menor, prevista para ser realizada pelos médicos brasileiros do Hospital Marcelino Champagnat depois que Karina estiver bem recuperada da primeira.

“Ainda é cedo para dizer quais são os resultados, mas ela está se recuperando bem. A cirurgia radical de fato pode prevenir a recorrência de um tumor e estamos tentando buscar a base científica para essa hipótese, isso faz parte da minha carreira. Pense na natureza: se você aparar a flor no topo da planta, ela crescerá novamente, mas se você destruir as raízes da planta, isso não será possível. Essa pode ser uma analogia próxima ao que tento fazer com a neurofibromatose”, explica o cirurgião.

Karina ainda não pode se sentar —por conta do risco de rompimento dos pontos—, mas ela já foi capaz de dar os primeiros passos com as “pernas novas”. Quando perguntada sobre o que gostaria de fazer após sair do hospital, ela logo disse que pretende usar roupas novas. “Agora vai ficar mais fácil encontrar peças como shorts e calças, que antes eu tinha que mandar fazer.”

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