Ao menos oito peças de carnes à vácuo foram inutilizadas com cloro em um mercado no Centro de Itanhaém, no litoral de São Paulo. As peças de carne foram inutilizadas depois que a auxiliar de enfermagem Kelly Beck Tofteraa, de 36 anos, retornou ao mercado para ser ressarcida pela carne com larvas que havia comprado no local.
De acordo com o coordenador do curso de Nutrição da UniSantos, Cesar de Azevedo, ao considerar que cada pacote pesa em média um quilo, pode-se dizer que 80 pessoas poderiam ter consumido o alimento descartado, caso fosse comprovada a boa condição para tal fim.
Embora a quantidade exata de carne descartada não seja conhecida, porque os números não foram divulgados pelo mercado ou vigilância sanitária de Itanhaém, o coordenador fez a conta com base nas oito peças abertas e banhadas por cloro. Segundo Azevedo, que cada pacote tivesse 1 kg, este poderia alimentar 10 pessoas.
De acordo com o nutricionista, a quantidade necessária de carne por dia é 200g, mas não necessariamente precisa ser carne bovina, que pode ser consumida de 3 a 4 vezes por semana, variando com outras carnes como porco, frango e peixe.
O especialista explicou que carne é uma excelente fonte de proteínas e fornecem matéria-prima para reconstrução dos nossos órgãos, da manutenção e da estrutura física na constituição de enzimas e várias substâncias essenciais ao nosso organismo.
O coordenador do Procon Regional de Santos, Fabiano Mariano, participou da fiscalização no estabelecimento, na quarta-feira, 13, onde duas irregularidades relacionadas à ausência de preço e produtos fora do prazo de validade foram encontradas no mercado, e disse que desconhece os procedimentos realizados pela Vigilância Sanitária, porém a questão da carne compete ao órgão atestar eventuais irregularidades.
Segundo a Vigilância Sanitária, por meio da prefeitura de Itanhaém, nenhuma irregularidade foi encontrada no estabelecimento durante a fiscalização. O órgão informou que o mercado faz descarte de produtos diariamente, isso não é verificado pela Vigilância e entra no registro de quebra do mercado.
Ainda de acordo com o órgão, o estabelecimento tem sua cota de descarte por vencimento e por deterioração diária e o que não pode é colocar esses produtos fora da validade para venda.
O Extra informou que os apontamentos feitos pelo Procon, e sinalizados em auto de constatação, foram imediatamente resolvidos: o item vencido foi descartado sendo colocado etiquetas de preço nos produtos sinalizados. Esses casos foram isolados e não estão em linha com as diretrizes da companhia; os colaboradores foram reorientados.
A rede ressaltou, ainda, que, durante a visita técnica, as áreas internas da loja foram inspecionadas, incluindo depósito, câmaras frias e áreas de perecíveis, e todos os pontos auditados estavam em conformidade.
Entenda o caso
Kelly Beck Tofteraa teve uma surpresa desagradável ao encontrar larvas de moscas em uma peça de carne comprada embalada à vácuo no Mercado Extra, no Centro, em Itanhaém. Ela relatou que antes de perceber os bichos, ela já havia trocado uma peça de carne que estava com cheiro podre. O mercado informou ter trocado o produto imediatamente, e que o item estava dentro da validade.