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Morando Fora

Os benefícios do livro em língua portuguesa para brasileiros que vivem no exterior

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Ler na língua de origem promove identidade cultural e melhora a integração do emigrante e de seus filhos. Parece contraditório, mas é isso que pesquisas, estudos e projetos mostram: quanto mais fluente na língua de origem, melhor aprende-se na língua do país de acolhida. Então, se você mora fora e quer manter o português, pense no livro como aliado.

A professora de língua portuguesa na Alemanha, Denise Castro, chama a atenção para a importância, nem sempre percebida, da literatura em vários aspectos na vida do migrante. De acordo com Denise, se os livros têm o poder de construir e reproduzir a mentalidade de uma época, eles conseguem também resgatar e conceber a memória poética de um povo, reforçar uma identidade cultural e até mesmo ajudar na integração dos filhos de imigrantes.

Livros não têm fronteira – “O hábito de ler não deveria ser interrompido na travessia de uma fronteira”, explica Denise, que ensina Português como Língua de Herança para filhos de brasileiros na Associação Linguarte em Munique, na Alemanha.

“Quando vivi em Portugal, eu ouvia muitas brasileiras relatarem que liam os livros comprados naquele país, mas que sentiam falta de algo que elas não sabiam explicar. Refleti muito sobre o tema, porque eu também vivia essa perturbação interna, até que eu descobri o que era: a necessidade de textos que nos trouxessem a nossa memória cultural, estórias que se passassem em ambientes brasileiros e que nos fizessem, pelo menos na imaginação, viajar de volta para casa”,

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Memória cultural – Se a leitura interfere no emocional e funciona muitas vezes como um alento para o adulto; para as crianças exerce a função de construtora de uma memória poética e cultural, trazendo a intimidade dos lugares do país de um dos pais, e trabalhando ao mesmo tempo a fluência da língua de herança.

Apaixonada por leitura desde criança, Denise explica que o livro é uma excelente ferramenta para entrar em contato e promover intimidade com costumes dos locais. A viagem proporcionada por um bom texto, segundo ela, leva até à sensação de cheiros e cores, estando onde for. “É importante que o filho de um brasileiro se sinta também pertencente à cultura dos pais e não tenha sua brasilidade expressa só no passaporte”, explica a professora.

Como adquirir livros em português – Quem mora fora sabe que livro pesa e trazer na mala é difícil. É aquele sentimento de escolher um pacote de feijão ou um livro interessante. Mas como fazer para consumir literatura brasileira ou portuguesa no mundo? A forma mais fácil e barata seria frequentar bibliotecas internacionais, que oferecem obras em vários idiomas, inclusive em português. Outras seriam os e-books, livros eletrônicos. Só que para criança o efeito não é o mesmo.
A aquisição de exemplares brasileiros pode ser feita em sites de vendas como Amazon, na Europa; e até em lojas virtuais no Brasil, que entregam no continente mediante pagamento de frete.

Projeto Interessante – O Minibilingue é uma nova alternativa para aquisição de livros infantis de língua portuguesa no exterior. Criado esse ano pelas sócias Ana Paula Etienne e Ingrid Pelegrini, o site oferece como diferencial a venda de livros de qualidade, já testados e lidos pelas sócias e catalogados por grupos de idades.

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De acordo com Ana Paula, é comum ouvir mães que compraram livros on line no Brasil e se decepcionarem ao abri-lo. “Não somente é pela qualidade, mas pela falta de adequação à idade da criança”, explica. Ao contrário de comprar às escuras, as sócias classificam os livros pela quantidade e qualidade do texto, complexidade dos diálogos e vocabulário, atratividade das ilustrações, potencial de estímulos linguísticos, neutralidade quanto à religião e respeito a todas as crenças.

O cliente do Clube de Leituras Minibilingue recebe um livro por mês, dicas sobre atividades extras de como aprofundar a história do livro e ainda informações sobre bilinguismo. Os pais que têm dúvidas podem enviar perguntas sobre o tema, que serão respondidas por uma fonoaudióloga profissional.

Se a família quer uma criança bilíngue, é uma decisão particular. Para os que não desejam, é uma pena, porque o bilinguismo é um presente. Mas se gostam da ideia, fica a dica: adotem o livro como importante ferramenta.


Liliana Tinoco Bäckert é jornalista e tem mestrado em Comunicação Intercultural pela Universidade da Suíça Italiana. Carioca, tem dois filhos, é casada com um alemão e vive naquele país desde 2005, onde também trabalha como treinadora intercultural independente. Decidiu transformar o próprio choque cultural em combustível para ajudar outros brasileiros que já vivem fora ou que pretendem se lançar nessa aventura globalizada.

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