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Morando Fora

Não corte os pulsos, as festas de fim de ano passam rápido

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Natal e ano novo são as épocas mais legais do ano: praia, calor, férias, reunião em família…. Infelizmente essa não é a realidade de todos. Enquanto as TVs mostram imagens de amor, de encontros e as redes sociais explodem de pessoas felizes correndo ao sol, os migrantes, aqueles que moram muito longe do Brasil e que não tiveram a chance de retornar ao país para comemorar com os familiares, são grandes candidatos a padecer nesse período.

Pior ainda para os que moram no hemisfério norte. Pelo frio e escuridão, podem enfrentar ainda mais obstáculos para driblar o sentimento de solidão. De acordo com especialistas, estresse do fim de ano, disfunções familiares e perdas, além da mudança da dieta e os dias cada vez mais frios do inverno são importantes motivos que tornam esse momento menos poético e mágico. Segundo reportagem do site americano www.huffpost.com, é como se houvesse uma constante lembrança do amor e felicidade que falta na sua vida.

Por essa razão, o mês de dezembro pode ser uma época do ano particularmente difícil para aqueles que têm experimentam conflitos familiares, lutos, divórcios, solidão e desordens mentais, como a depressão.

Eu nunca tive a doença, mas confesso que ano novo na Suíça é praticamente deprimente. Para quem, como eu, vem de uma cidade como o Rio de Janeiro, onde comemora-se o réveillon na praia, com fogos e com muitos amigos, virar o ano na pacata Suíça é um pulo para o corte voluntário dos pulsos. É frio, escuro, a galera quase não solta fogos. Para piorar, a maioria dos amigos viaja para o Brasil.

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Parece barco afundando, um salve-se quem puder. Os aviões saem lotados em direção ao hemisfério sul. Como eu nunca viajo para o Brasil nessa época do ano, pelo período curto de férias escolares de duas semanas, só me resta beber umas taças de champanhe, ficar meio sonolenta e torcer para a meia noite chegar logo. Mas aí eu foco no dia 1 de janeiro e no recomeço; bola pra frente para esquecer da noite do dia 31.

Não há dados que mostrem que a depressão ou índices de suicídio aumentem em dezembro, mas especialistas dizem que algumas depressões de feriado são um fenômeno real. Aliás, existe até uma sigla em inglês para o problema: SAD, que quer dizer seasonal affective disorder, ou seja, transtorno afetivo sazonal.

E para a galera que acha que tudo é mimimi, vai a dica: segundo explicação do doutor em Psicologia Guy Winch, “solidão não é uma medida objetiva ou qualitativa de amizade ou companheirismo, mas sim qualitativa; um sentimento subjetivo de profunda desconexão emocional ou social, ou os dois juntos. Por exemplo, muitas pessoas podem se casar e sentir-se extremamente solitárias. Outros podem se encontrar em meio a grandes reuniões familiares, mas ainda se sentirem incompreendidos ou invisíveis”.

E outras, como os migrantes, que já se sentem desconectados da sociedade onde estão passando o Natal, veem o sentimento aflorar nessa época. Os culpados, especificamente nos casos de migração, são a diferença cultural, a saudade, a escuridão, o saudosismo do momento ou a falta de mais amigos mesmo.

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Enfim, o fato é que o risco existe e que, para muitos, a depressão bate à porta. Se não der para pegar o próximo voo em direção ao sol, vale a pena ler as dicas de especialistas para lidar com a questão:

Evite:

– Criar expectativas fora da realidade

– Tentar fazer tudo perfeito e chegar à exaustão para dar conta de todos os compromissos

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– Comparar sua vida com a de outras pessoas, principalmente nas redes sociais

– E no mais, lembre-se. O inverno passa, março está logo ali.


Liliana Tinoco Bäckert é jornalista e tem mestrado em Comunicação Intercultural pela Universidade da Suíça Italiana. Carioca, tem dois filhos, é casada com um alemão e vive naquele país desde 2005, onde também trabalha como treinadora intercultural independente. Decidiu transformar o próprio choque cultural em combustível para ajudar outros brasileiros que já vivem fora ou que pretendem se lançar nessa aventura globalizada.

 




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