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Técnico abre o jogo e conta por que o UniCeub não empolgou nesta temporada

Arquivo Geral

08/05/2015 8h24

A temporada foi atípica, para dizer o mínimo. Nada menos do que 18 derrotas na fase de classificação… A primeira temporada do UniCeub/Brasília sem a dupla Alex e Nezinho foi marcada não por resultados positivos, mas por um número de revezes nunca antes vividos pela agremiação de Brasília. Lesões, jogador com problemas de adaptação e corpo mole, além de uma montagem de elenco que demorou além da conta. O alento, por ironia do destino, veio ao final da temporada. A sexta colocação geral entre todas as equipes que disputaram a sétima edição do Novo Basquete Brasil (NBB) garantiu ao UniCeub/Brasília uma vaga na Liga Sul-Americana, torneio conquistado duas vezes pelo time da capital federal.

Em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, o técnico José Carlos Vidal fez um balanço de tudo o que aconteceu entre o início e o fim de sua temporada de retorno aos bancos de reserva. Entre os assuntos debatidos, os problemas envolvendo Darington Hobson e os planos para o futuro. A meta, segundo o comandante do time candango, é aprender com os erros cometidos na temporada 2014/2015 para consertá-los em um futuro próximo.

“O projeto do time faz parte da minha vida. Desde o meu retorno, e isso é de conhecimento de praticamente todo mundo, eu fiz muito pelo time em vários aspectos, incluindo na captação de patrocínios. Se estarei como técnico ou gerente, estarei por perto”, garante o comandante do primeiro título nacional da história da equipe candanga. 

Depois do Nacional de 2007, Vidal deixou a equipe para cuidar da carreira acadêmica, algo que ele faz até hoje, já que continua lecionando na Universidade Católica de Brasília. Foram mais algumas idas e vindas, entre o cargo de técnico e gerente do clube, como na temporada 2013/2014. Do time que foi abatido pelo Limeira, quatro jogadores estarão com Vidal para 2015/2016: os brasiliense Arthur e Ronald, além dos paulistas Fúlvio e Lucas Cipolini, todos com mais um ano de contrato.

Com os pés no chão, o comandante da agremiação brasiliense garante que o time fez o que pode. Mas sentencia que, a depender do que o time passou na mais no NBB 7, as coisas serão bem diferentes.

“Independentemente de quanto será investido, o time tem que mostrar a cara, nem que sejam dez atletas e a gente contrate depois. A minha intenção é fazer a apresentação no dia 15 ou 17 de agosto. Fizemos dois eventos de apresentação, mas na última temporada, por problemas internos, não foi possível”, lamenta.

Entre os vários problemas para o terceiro insucesso consecutivo nas quartas de final está, inclusive, a falta de investimento, conforme aponta Vidal.

Darington Hobson, o grande reforço do time para a temporada, chegou atrasado na Argentina por conta de problemas particulares. Isso, por si só, atrapalhou o time na gira de amistosos?

Isso veio até depois. A montagem inicial do time foi complexa. A gente teve que fazer escolhas muito rápidas para que pudéssemos ter jogadores que iriam manter a credibilidade do projeto. Não foi fácil substituir Nezinho e Alex. A tentativa era trazer jogadores estrangeiros porque, no basquete brasileiro, os jogadores do mesmo nível já estavam em outras equipes. A gente sabia que tinha que acertar com um estrangeiro. Demoramos um pouco porque esperamos o Hobson. Tínhamos boas informações sobre ele e esperamos até o último momento para saber se ele teria propostas da NBA. Isso prejudicou a preparação do time e a pré-temporada. Lutamos durante quatro meses pela adaptação dele, para entender o basquete brasileiro e a forma de jogo. A coisa não andou bem, não aconteceu. Ele já estava em uma fase de desagregar por conta de atitudes, resolvi fazer um acerto e mandar ele embora. Acho que isso prejudicou no início, a consolidação de pelo menos um quinteto inicial.

Vocês chegaram a ter a impressão de que o Hobson não estava fazendo questão de se adaptar? Em um jogo, ele saiu dando soco em cadeira, chutando o banco de reserva. Isso te incomodou?

Certamente. Isso aqui em Brasília foi só a gota d’água. Tivemos problemas em um jogo com o Palmeiras e no jogo com o Pinheiros. Contra o Pinheiros, ele entrou, mas não corria, estava distraído. Chegamos a levar 31 x 11 no primeiro quarto. Em termos de jogar basquete, não tinha dúvida que havíamos acertado na escolha. Nem sendo mágico para saber como ele ia vivenciar essa mudança. Foi só a segunda experiência dele fora dos Estados Unidos. Era uma expectativa. Trouxemos um cara muito bom, habilidoso, mas o restante se mostrou muito ruim. Eu tinha que fazer uma escolha: ou mantinha o time unido, ou privilegiava um jogador que não estava dando retorno.

Depois da saída do Hobson, o time entrou em uma sequência de derrotas. O que ela impactou no restante da temporada?

Tivemos que ter uma paciência grande. Também vivemos o pior momento em relação a lesões. Foi nessa época que eu também consegui trazer o Fred, que foi um acerto. Acho que se eu tivesse conseguido trazê-lo antes, a temporada talvez tivesse se desenrolado de outra forma, pelo menos na armação. Cheguei a ser perguntado sobre situações de chegar à última posição. A gente sabia que quando tivesse um time bem fisicamente, completo, a gente chegaria aos playoffs. Foi um período de dificuldade, de tentar fazer cada um olhar para o seu umbigo. Com a chegada do LaMonte, em janeiro, encontramos um conjunto.

Como se chegou ao nome do (Kyle) LaMonte? Ele é um jogador conhecido no Brasil, não pelo que ele fez aqui, mas pelo período dele na Argentina.

Ele estava na Lituânia e apareceu um agente brasileiro que começou a ventilar o nome dele. Tínhamos duas opções (o outro era Rodney Green, amigo de Vernon Goodridge), mas o outro também não tinha vivência no basquete sul-americano. Optamos pelo LaMonte justamente por essa vivência. Tivemos boas informações do Sergio Hernández, que havia jogado com ele por duas ou três temporadas. Ele disse que era um profissional que cumpria com suas funções. Foi um jogador importante, que vamos cogitar para a próxima temporada.

Qual sua avaliação da reta final da primeira fase? O time teve ainda algumas derrotas inesperadas, apesar do entrosamento de LaMonte e Fred. Sua expectativa era maior do que o que a equipe alcançou?

Não, a expectativa era essa mesmo. Passar pelo Pinheiros, que a gente sabia que tinha condições de reverter o playoff e depois pegar Limeira e ter mais dificuldade, por conta do revezamento. O nosso ficou limitado a sete jogadores. No segundo jogo aqui, tivemos alguns erros técnicos, escolhas erradas, que nos custaram uma segunda vitória. O limite do time, comparado a Limeira, Bauru e Flamengo era esse, de ficar na quinta ou sexta colocação. Se passasse, seria uma surpresa boa para todos.

No último jogo, você disse que o time precisa de um aporte financeiro maior. Até que ponto isso atrapalhou na temporada. Chegou a forçar o time a escolher jogadores mais baratos?

Houve uma redução no investimento. Consequentemente, você precisa optar por jogadores mais baratos no mercado. O Vernon, por conta da questão financeira, foi o último a chegar. Foram oferecidos outros jogadores, como o Robert Day, no começo da temporada, mas não tinha dinheiro naquele momento. Tínhamos orçamento para um estrangeiro, ainda consegui trazer mais um. Naquele momento, o Ronald ainda não tinha assumido a postura que assumiu depois. O aporte financeiro foi menor, entre 20 e 25%. Temos que mudar esse foco para que a gente possa trazer jogadores que sejam protagonistas, mais caros. Os quatro times que estão na frente, são os de maior investimento. A relação é direta.

O UniCeub/Brasília, mesmo com uma temporada aquém do esperado, conseguiu vaga na Liga Sul-Americana. Esse é o principal ponto positivo da temporada?

Foi fundamental, importantíssimo. Temos uma história internacional. Fizemos sete jogos na Argentina e fomos tratados como time grande. Temos jogadores importantes, ganhamos títulos importantes. O respeito é muito grande. A gente se acostumou a estar nas ligas internacionais. Essa vaga é um primeiro passo de um objetivo maior que é voltar a vencer uma Liga das Américas e jogar o Mundial.

O UniCeub/Brasília já começou as tratativas de renovação com jogadores do elenco? Já pensou em novos nomes, ou vai esperar as negociações de patrocinadores?

Vamos resolver primeiro a questão do técnico. Já temos agentes nos ligando direto e oferecendo jogadores, importantes e internacionais. Tudo isso já está ocorrendo. Estou trabalhando nisso, recebendo vídeos e analisando jogadores. Temos que ver nossa necessidade. Vamos precisar de jogadores mais fortes defensivamente. O ideal é ter um recurso para trazermos dois jogadores de protagonismo para sinalizarmos que brigaremos por títulos novamente.

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