Com apenas 20 anos, força de vontade e muita disposição, o brasiliense Guilherme Dias adicionou à sua lista de conquistas mais uma vitória. O jovem foi o único brasileiro a conseguir uma medalha no mundial de Taekwondo no último fim de semana, em Puebla, no México.
Amante do esporte desde os sete anos, Guilherme é incansável. Apesar da pouca idade, ele mostra muita responsabilidade em carregar o peso de ser uma das promessas para as Olimpíadas de 2016, no Rio.
Com uma delegação de 16 atletas brasileiros dispostos a conquistar medalhas no México, Guilherme foi o único a atingir seu objetivo. Mesmo com a medalha de bronze em mãos, ele confessa que a equipe poderia ter desenvolvido um trabalho melhor. “Esperava mais medalhas para o Brasil. Achava que ia ser campeão, queria mesmo a medalha de ouro.“, confessa o atleta que se sentiu prejudicado no Mundial pelo pouco tempo para descanso que teve nos intervalos dos confrontos.
“Tivemos duas horas de descanso para as semifinais e isso quebrou todo mundo. Tenho certeza que foi isso que nos prejudicou porque estávamos muito exaustos por conta da viagem e lutas consecutivas. Se não fosse isso, eu teria conseguido o ouro numa boa”, garante.
OLIMPÍADAS DE 2016
Tímido nas palavras, Guilherme pouco falou sobre ser a promessa do Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.“Nem procuro pensar nisso. Já me falaram que sou uma aposta para as Olimpíadas, mas o meu foco é subir no ranking mundial”, conta o atleta que com a conquista da medalha de bronze no México, saiu da 17ª posição e pode ficar entre os 10 melhores do mundo.
“Estou treinando para me manter na seleção. Daqui para 2016 é muito tempo e lá é só um torneio, é o fim do ciclo. Se tiver que ser vai será”, conta o medalhista.
Afastando o peso da responsabilidade de vestir a camisa amarela no evento esportivo mais importante do mundo, Guilherme imagina que na hora de entrar para competir, o coração vai bater mais forte. “Na hora vou sentir a pulsação na garganta. Ainda mais porque vai ser aqui no Brasil e tenho certeza que a torcida vai fazer a diferença em todos os jogos”, espera.
Preocupado em se especializar na modalidade, Guilherme viajou ontem para Curitiba, no Paraná, para fazer um curso voltado ao Taekwondo. “Vai ser só o fim de semana. Vou me especializar mais no esporte, adquirir conhecimento e volto domingo”, diz.
Só com a força de vontade
“Nascido para lutar” é o que significa a tatuagem de Guilherme na região do pescoço. Mas nascer com um dom nem sempre é suficiente. Praticante do Taekwondo desde que tinha sete anos, ele diz que Brasília deixa a desejar principalmente no quesito incentivo. “Aqui é muito atrás, se você for comparar com outras capitais como São Paulo e o Rio”.
De acordo com ele, o incentivo deveria partir principalmente da Federação, que faz muito pelo esporte na capital, mas ainda não é o suficiente. “Falta um incentivo deles e, principalmente, organização. A gente tem poucos atletas em cada peso e isso dificulta tudo. As pessoas precisam descobrir o taekwondo”, torce.
O MESTRE
Técnico de Guilherme desde quando o jovem optou por ser atleta, Washington Silva enaltece a força de vontade do seu aluno. “A Federação nunca propôs um intercâmbio entre atletas. Mesmo treinando num lugar simples como esse, Guilherme é muito esforçado e, por isso, consegue resultados. Ele é um atleta completo”, elogia o professor. A humilde academia em que Guilherme treina fica em Taguatinga.