A descrição do dicionário para a palavra trapaça é simples: manobra desonesta para iludir a boa-fé de outrem, causando-lhe prejuízo. Manobra essa que temos acompanhado quase anualmente no mundo do atletismo. O último escândalo envolve os grandes nomes do velocismo Asafa Powell, Sherone Simpson e Allison Randal, da Jamaica; e o norte-americano e atual dono do melhor tempo da prova de 100m nesta temporada, com 9s75, Tyson Gay.
Na contramão desta mancha na história do esporte, está a primeira brasileira a vencer a São Silvestre e medalhista de ouro no Pan Americano de Mar del Plata-95, Carmen de Oliveira.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, a ex-atleta comentou sobre como cada vez mais atletas procuram todas as maneiras para estarem sempre no topo. “São pessoas que arriscam toda uma carreira por conta do sucesso. Tem horas que o desejo pela vitória é tanto, que eles não percebem quais as cartas devem escolher. Não existe inocência e sim um desejo doentio pelo sucesso”, avaliou.
Punição
O tempo máximo de punição no atletismo é de dois anos, embora esse tempo possa ser diminuído conforme a substância dopante que foi utilizada e se for comprovado que o atleta não tinha intenção. “Essas punições mais brandas contribuem, e muito, para que os atletas continuem se drogando. Deveria ser banido do esporte e seus resultados apagados da história”, comentou Carmen.
Uma vez dopado. nunca atleta
A indignação de Carmen começa em sua história vencedora. Recordista dos 10 mil metros sul-americano, a corredora teve o feito superado no Troféu Brasil de 2011 pela corredora Simone Alves, que também se tornou recordista sul-americana dos 5 mil metros.
Mas, após quebrar o recorde, a brasileira foi flagrada no teste antidoping para a substância proibida Eritropoetina Recombinante (EPO), um hormônio que aumenta a capacidade de transporte de oxigênio no sangue, elevando a resistência física. O recorde dos 10 mil metros voltou a ser de Carmen, e agora persiste há 20 anos. “Mas o recorde dos cinco mil ainda consta como dela. Deveria ser apagado, pois como o recorde permanece para uma atleta que um dia competiu dopada?”, disse Carmem sobre Simone, que está preventivamente suspensa.
Fala, torcida
Muitas vezes, as pessoas pensam ou são iludidas por outras a tomarem atitudes precipitadas para atingir um objetivo na vida. No caso dos atletas, essa é uma prática comum. Para atingir um patamar, acabam se envolvendo com substâncias proibidas achando que ninguém perceberá ou descubrirá no futuro. Porém, essa é uma questão séria. E como a mentira, a farsa também tem perna curta. Uma hora a casa cai e a carreira chega ao fim.
Os dopados mais famosos
Asafa Powell
Ex-recordista mundial dos 100 metros e medalhista de ouro no revezamento 4×100 metros nos Jogos de Pequim-2008, Asafa Powell teve detectado em seu organismo, a substância oxilofrina, um estimulante proibido pela Agência Mundial Antidoping (Wada). O estimulante foi flagrado durante as seletivas da Jamaica para o Mundial de Moscou, realizadas no mês passado. Além de Powell, foram flagrados mais cinco.
Tyson Gay
Campeão mundial dos 100 metros em 2007, o atleta despontava como favorito ao pódio no Mundial de Moscou, em agosto, na Rússia. Gay admitiu que seu exame, em 16 de maio (antes das competições), teve resultado positivo, sem, no entanto, revelar a substância.