Um eterno adolescente apaixonado por esportes exóticos. Assim pode se definir Paul Gaiser – brasileiro com nome de gringo -, uma das atrações da Fórmula 1 Náutica a ser realizada amanhã e domingo, na Concha Acústica – Setor de Clubes Norte, na orla do Lago Paranoá. O evento terá entrada franca.
Com 57 anos, Paul é o único brasileiro a representar o país tropical no evento inédito que, segundo ele, surpreenderá os brasilienses que optarem por sair da rotina no fim de semana. “É uma prova de alta adrenalina e que marcará a vida de quem vier assistir. Os acidentes, que são inevitáveis, trarão mais vida e diversão ao público”, confia o piloto de alma jovial.
Engenheiro e pesquisador de tecnologias, Paul alterna os seus dias entre a vida que possui na Alemanha e a paixão pelo Brasil, que permanece viva. “Fico lá por quatro semanas. Volto e permaneço por outras duas porque não consigo ficar longe daqui”, confessa.
Tendo Brasília como a anfitriã da primeira fase do circuito mundial, Paul Gaiser não economiza elogios. “Morei aqui por um bom tempo, sempre tentei trazer o evento e não obtive sucesso. Fico extremamente feliz com a realização porque Brasília precisa ser vista”, diz o brasileiro. “No exterior, eles pensam que a capital é o Rio ou Buenos Aires. Digo isso porque é o que ouço. Brasília é espetacular e precisa mostrar o seu valor ao mundo”, completa.
PROCURA-SE UM SUCESSOR
A idade máxima para a prática do esporte de forma profissional é 54 anos. Paul permanece no elenco por ter um tratamento rígido com o próprio corpo. “Amo o que faço, mas sinto que esse ano será o último”, projeta o piloto.
Triste por ter que deixar o esporte, ele ainda terá um obstáculo a ser enfrentado: escolher um brasileiro que dê continuidade ao seu trabalho. “Estou à procura de um porque é legal ter um representante do País no meio de tantos gringos. Isso traz uma visibilidade muito grande para a nossa nação, mas sinto dificuldade em indicar algum nome porque o próximo deve ser alguém determinado e de bom caráter, sobretudo”, classifica.
“A diferença da Fórmula 1 Náutica para a Fórmula 1 de carros é que aqui o reconhecimento vem de maneira mais rápida”, compara. “Mas a principal dificuldade é que o esporte exige um alto poder aquisitivo de quem topar ser um piloto da categoria. Eu mesmo já passei por isso várias vezes”, conclui.