Conhecidas pelo grau disciplinar ensinado aos seus discípulos, as artes marciais são procuradas por muitas pessoas que visam dar controle mais rígido a crianças. “Hiperativo” em sua infância, o brasiliense Guilherme Dias foi introduzido no taekwondo por sua mãe, Carmem Francisca, aos cinco anos, para acalmar seus ânimos. O que não se esperava, no entanto, é que o jovem construísse carreira vitoriosa e, 15 anos mais tarde, se tornasse um dos maiores nomes da modalidade e conquistasse uma medalha de bronze no Mundial.
“Comecei por ser hiperativo. Minha mãe queria me colocar em uma arte marcial pela disciplina. Gostava de jogar futebol, mas nunca fui muito bom e me dei melhor no taekwondo”, explicou Dias, de 21 anos, em entrevista à Gazetaesportiva.net.
Destaque no cenário nacional nas categorias de base do taekwondo, o atleta entrou em competições aos oito anos e conquistou seu primeiro troféu aos 11 anos, sendo campeão brasileiro na categoria infantil. Dois anos mais tarde, novamente triunfou no torneio nacional, garantido seu segundo título. Afastado do esporte por aproximadamente dois anos, voltou a treinar aos 16 e, no ano seguinte, foi campeão pan-americano junior pela Seleção juvenil.
O grande feito de sua carreira, porém, ocorreu nesta segunda-feira, em Puebla, no México, onde o atleta competiu na categoria até 58 kg do Mundial. Depois de superar o cipriota Antonis Kyriakou, o filipino Keno Anthony Mendonza, o argentino Lucas Guzman e o chileno Ignacio Molares, Guilherme Dias acabou sucumbindo na semifinal diante do iraniano Hari Mostean Loron.
A derrota contra o asiático ocorreu no Golden Point, já que o duelo terminou empatado por 4 a 4 nos três rounds regulamentares. No embate decisivo, o aspecto físico pesou contra o atleta brasileiro, que já havia sofrido 22 pontos em suas lutas anteriores. Apesar do revés, Guilherme Dias assegurou um lugar no pódio, que ainda teve o sul-coreano Cha Tae-Moon (ouro), Hadi Mostean (prata) e o mexicano Damián Villa (bronze).
“Foi uma luta resolvida nos detalhes, mas eu falhei no Golden. Um campeonato deste nível não permite erros, tenho certeza que poderia ter saído como vencedor, até mesmo com o ouro. Faltou atenção no final e paguei por isso”, lamentou. “Tomei muita porrada nas pernas durante a competição. Isso me atrapalhou um pouco, faltou mais resistência”, completou.
Em sua melhor fase na carreira, Guilherme Dias já planeja objetivos maiores para os próximos anos. O atleta segue sua rotina de competições no Argentina Open e também no Pan-americano Open, realizados na Argentina e no México, respectivamente. Visando os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, o brasiliense reconhece a importância de seguir atuando em alto nível.
“O objetivo final do ciclo é 2016. Esse foi mais um passo que eu dei, mas ainda há muita coisa para aconte
cer. Desejo representar meu país nos Jogos, e para isso preciso continuar competindo e tendo resultado. O Argentina Open e o Pan-americano Open valerão 10 pontos no ranking mundial cada. Depois disso, pensarei novamente na seletiva fechada para me manter na Seleção”, encerrou.